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“Quero Trazer a Memória o Que Me Pode Dar Esperança”

GRUPO DE ESTUDO FAMILIAR 2011 – ESTUDO Nº 22

(Lamentações 3:21) 

                   

                     Quero trazer a memória o que me pode dar esperança. São duas palavras significativas que estão juntas na mesma frase e que nos impele a uma ação – trazer. Memória é o nosso banco de dados e de forma ilustrativa é nossa “caixa de ferramentas” da alma, pois tudo que fazemos, necessitamos da memória; seja para nos expressar (com palavras ou sentimentos), para agirmos ou reagirmos, construirmos (relacionamentos, coisas) e consultando este banco de dados é que sabemos se ficaremos felizes ou infelizes. A nossa alma (razão) tem ferramentas que nos deixam emotivos, sentimentais, racionais e tudo que sai deste nosso banco de dados, um dia entrou ao ouvirmos ou sentirmos algo que guardamos na nossa memória. Uma vez guardada, “esta ferramenta” será usada, será vivenciada.

                             Temos muitas pessoas trabalhando em nossa vida: família, professores, amigos, pessoas com quem aprendemos  vendo, ouvindo, tocando, experimentando, e vamos enchendo nossa memória de muita coisa boa e muitas outras que não servem para nada. É como uma caixa de ferramentas com muitas peças sem utilidade. Guardamos na memória muita cultura inútil, conhecimentos que jamais serão aproveitados e ela vai se enchendo de tal modo que um dia queremos guardar uma coisa boa e não mais conseguimos, pois ela já alcançou o limite de armazenamento de dados. Temos uma orientação bíblica que nos diz: “... transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:2). Muitas vezes Deus não consegue operar numa vida porque ela está “cheia”. Sua memória já está completa e ela não está absorvendo novas informações; não quer “abrir mão” de nada do que já está armazenado e justifica-se dizendo: Não tenho tempo para isto; não quero prestar atenção, pois não me interesso por isso, deixando assim de assimilar algo grandioso, maravilhoso que abençoaria sua vida. Um vaso cheio não comporta mais nada, seja bom ou ruim. Por isso Jesus geralmente ministrava às pessoas, incitando-as a se esvaziarem diante dos conceitos divinos, abandonando outros conceitos (herdados, aprendidos, observados), que ocupavam o seu interior, e deixavam a vida entulhada de coisas insignificantes.

                            A passagem bíblica do texto caminha nesta direção: quero trazer a memória (para o meu interior) algo bom, algo que possa me dar esperança. Esperança é a ação de esperar o que se deseja; esperar é aguardar, é ter esperança de ou em. Sabemos do valor da esperança, mas normalmente não estamos predispostos a esperar, nos parecendo que a espera nunca abençoa ninguém. Mas o versículo diz para levarmos a memória exatamente aquilo que nos ensina a esperar, ou que possa nos dar esperança. Não gostamos de renovar conceitos, não gostamos de nos desprogramar, nem de mudança alguma. É muito mais confortável andar por onde todos andam, fazer o que todos fazem e dizer aquilo que todos esperam que digamos, pois assim a vida fica mais aceitável, tranqüila diante dos homens, mas para a auto-existência e diante de Deus não é assim. Temos que encher nossa memória de forma consciente com tudo aquilo que pode nos dar esperança. A Bíblia apresenta o “esperar” ou o “ter esperança” como uma das coisas mais abençoadoras da vida. Na primeira carta aos coríntios, Paulo dá instruções, fala da unidade da Igreja e inicia o capítulo treze escrevendo: “agora passo a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente” discorrendo sobre o amor. Encerra o capítulo dizendo: agora permanecem a fé, a esperança e o amor, sendo o maior deles o amor”. Vejam aqui a esperança listada entre as coisas mais importantes da vida, porque só tem direito de esperar quem tem legalidade, quem está incluso, aprovado. Quando nos mandam esperar é porque voltarão a nos atender, e significa que nosso pedido procede e seremos atendidos.

                            Assim como a fé, a esperança precisa ser praticada sem garantia dos olhos. Diz a Palavra: “ora, a esperança que se vê, não é esperança; quem espera o que não vê, com segurança espera”. O mesmo ocorre com a fé; “quem diz que crê no que vê, isto não é fé, é incredulidade, mas se crê no que não vê, com segurança crê”. A esperança é como uma “liminar” das bênçãos de Deus, ou seja, a antecipação daquilo que já temos direito. Nem todos têm o direito de esperar, mas o cristão o tem e se alguém espera algo a que não tem direito, em vão espera (leia Efésios 2:11-13). Há pessoas que desistem de esperar quando esperar é a melhor coisa a fazer, porque antes de aceitarmos Jesus como nosso Salvador, não éramos povo de Deus, não estávamos reconciliados com Ele, não fazíamos parte do Seu plano e Suas promessas não nos alcançavam. Portanto, se estivéssemos esperando algo de Deus, isto era totalmente sem valor (releia o v.12). O agricultor espera com paciência o fruto da semente que plantou. Os que servem ao Senhor devem esperar em Deus serem recompensados; os que oram têm o direito de esperar em Deus serem atendidos a qualquer momento, mas os que não oram, nem crêem, não têm o direito de esperar algo grandioso de Deus porque tudo o que Ele realiza é por sua infinita graça e misericórdia, por meio da nossa fé.

                            Do ponto de vista humano, esperar é sempre maçante, enfadonho, algo que não traz nada de bom porque somos imediatistas. Gostamos de tudo muito rápido, mas Deus nos ensina que primeiro plantamos e depois colhemos; primeiro vamos crer e esperar e depois receberemos. O texto de Lamentações 3:22-26 (leia) nos mostra que esperar não é somente um direito, mas também é correto, benigno, porque aquele que espera no Senhor está depositando sua confiança no caráter de Deus. Foi Ele quem disse: espera, aguarde, seja fiel e fez uma promessa. Este trecho nos mostra que Deus é misericordioso e carinhoso (v. 22), fiel (v.23), bondoso (v.25), salvador (v.26) e que é bom esperar tranqüilo pela Sua salvação. Primeiramente adquirimos o direito de esperar; a seguir vemos que esperar é bom. Em Provérbios 13:12 lemos: “A esperança que se retarda deixa o coração doente...” Por isso vemos no mundo tanta desesperança; as pessoas se desesperam em todos os sentidos: como indivíduos, família, sociedade, nação. Vemos a falência na educação, na ciência, na vida; os valores estão abalados e parece não haver onde apoiar a alma. Se ouvirmos a Palavra de Deus, se meditarmos nela e mantivermos firme a nossa esperança em Deus, a nossa alma estará seguramente ancorada. Mas é necessário programar: eu quero trazer a minha memória somente aquilo que pode me dar esperança. Um esportista sabe o nome de muitos jogadores, a posição de cada time na tabela, quanto custou o passe dos principais jogadores do mundo, conhece os melhores de cada campeonato e são todas informações fiéis; elas existem e são verdadeiras, mas no que isto o abençoa? Onde ele poderá usar esta ferramenta?  Onde isto poderá dar-lhe esperança? Podemos saber o nome de dezenas de cantores, algumas dezenas de músicas decoradas, os nomes dos principais artistas, conhecer os melhores da moda, os carros mais velozes, as melhores marcas e tantas outras coisas que procedem, mas devemos trazer à nossa memória aquilo que pode nos abençoar. No momento em que minha alma (como um ser emotivo, sentimental, racional) necessitar de uma ferramenta dentro da racionalidade, da emoção, do sentimento, estes conhecimentos podem nos trazer esperança? Será que não teremos que nos desprogramar e trocar estas informações por outras?

                             Na primeira carta aos tessalonicenses (leia 3:13), Paulo estava dizendo a respeito da morte, de perdas dos entes queridos e percebeu nas pessoas o desconhecimento sobre a vida, o relacionamento com Cristo, a vida eterna, que elas não tinham esperança na ressurreição e nem na salvação, ficando desesperadas diante da morte. Paulo então fala aos irmãos: “não quero que vocês se entristeçam como os demais que não têm esperança”. Em Romanos 12:12, Paulo nos dá três conselhos: “Alegrem-se na esperança; sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração”. Como o apóstolo Paulo era um homem que tinha uma firme esperança em Deus, escrevendo aos Romanos 15:8-13 (leia), cita várias passagens do Antigo Testamento para explicar aos seus irmãos que Deus já havia preparado promessas para os gentios que as aceitariam, esperariam e seriam enriquecidos nelas. A Bíblia é a fonte da esperança e se esperamos qualquer coisa fora da Palavra de Deus, não esperamos em Deus; logo nossa esperança deve estar em outra coisa (na política, nas pessoas, etc). A esperança que é abençoadora tem a sua base na Palavra de Deus. Vejam: Rm. 15:4 diz: “Pois tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nos ensinar, de forma que, por meio da perseverança e do bom ânimo procedentes das Escrituras, mantenhamos a nossa esperança”. Rm. 4:18 (leia) nos mostra que quem espera é candidato em potencial para ser um vencedor. Não existe, na Bíblia, um só vencedor que não tenha iniciado sua jornada com esperança. Abraão esperou contra a esperança, pois quando recebeu a promessa de Deus de ter uma grande descendência, já era avançado em idade, bem como sua esposa Sara que também era estéril. Ele foi próspero, vitorioso, vencedor, porque creu e andou de acordo com a promessa. Esperou por quase vinte e cinco anos o cumprimento da promessa de ter um filho do qual sairia sua descendência. Abraão foi um homem muito rico financeira e espiritualmente, muito sábio, apesar de ser um homem falível, pecador. Iniciou sua jornada após ouvir um chamado e uma promessa de Deus aos setenta e cinco anos; creu e esperou contra a esperança. Ele viu muito das promessas de Deus se cumprirem; algumas não, como a sua descendência que existe até hoje. O apóstolo Paulo, na revelação do Espírito, cita Abraão como exemplo de alguém que esperou.

                            Lendo Rm. 8:24-25 vemos que quem crê na salvação de Deus providenciada em Cristo Jesus, espera esta salvação, e nesta esperança é salvo, apesar de jamais ter visto Jesus. Em Hb. 6:13-20 temos uma promessa e um juramento feitos por Deus, apesar  dEle nunca precisar jurar pois Sua palavra é fato sólido; mas em concessão aos homens instáveis, Deus acrescentou o juramento à Sua promessa. Nossa alma tem duas cousas imutáveis; 1) A impossibilidade de Deus mentir, pois Ele não blefa, não brinca com os sentimentos, com as emoções, com a razão, tampouco com a fé das pessoas. 2) O juramento de Deus. Paulo nos estimula a sermos firmemente encorajados a fim de tomarmos posse da esperança a nós proposta, que é como âncora da alma, firme e segura como a promessa de Deus, forte como Sua palavra e penetrante a ponto de nos levar com Cristo para o Santo dos Santos celestial, garantindo assim nossa entrada no céu. Uma alma sem âncora é como uma vida levada em toda direção. Por isso vemos pessoas tranqüilas “nas mesmas águas” que muitas outras estão desesperadas. Neste mundo de tantas incertezas e tantos medos, precisamos trazer para a nossa memória aquilo que nos dá esperança; enquanto vemos revistas, lemos jornais, assistimos a TV, muitas coisas que não nos trazem esperança querem entrar em nosso coração. Em I Pe. 1:3 lemos que Jesus Cristo nos regenerou para uma esperança viva, por meio de Sua ressurreição dentre os mortos, e I PE. 3:15 nos orienta a estarmos sempre preparados para responder às pessoas que nos pedem a razão da esperança que há em nós. A esperança é boa, abençoadora, enriquecedora, próspera e nos fortalece; só tem direito de esperar, quem tem promessa de Deus e cumprida a nossa parte, podemos esperar confiantes porque Deus jamais deixará de cumprir com a Sua.

                            “Bom é ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm.3:26).

 

 

 

                           

 

                          

 

                           Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.

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