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O Ano (tempo) Aceitável do Senhor
GRUPO DE ESTUDO FAMILIAR 2011 – ESTUDO Nº 33
Lucas 4: 16-30
Vemos neste texto da Palavra de Deus, Jesus pregando em Nazaré, anunciando o tempo aceitável do Senhor e sendo rejeitado pelos seus conterrâneos. Ao tomar a palavra, o Mestre fala daquilo de que mais necessita a humanidade e inicia dizendo que havia sido ungido, fazendo uma possível referência ao “Messias” que significa “o Ungido”, o “Cristo”, que era interpretado pelos judeus como o Salvador vindouro, uma profecia que foi cumprida no batismo (leia Lucas 3:22). O Espírito veio em forma corpórea para que os presentes pudessem reconhecer Jesus como Messias. Ele foi ungido para que anunciasse as boas e novas de Deus para a humanidade.
Deste modo vemos o alto privilégio a nós concedido ao sermos evangelizados pelo próprio filho de Deus que anunciava coisas que ninguém sabia sobre o Pai (a Sua aceitação da humanidade como se encontrava, não se importando com sua vida pregressa). Jesus prosseguiu dizendo que veio também para libertar cativos (presos em qualquer tipo de prisão – da alma, do espírito, do corpo), pois para a liberdade foi que Cristo veio nos libertar; veio para dar vista aos cegos por meio da luz (leia João 8:12) e também alívio aos oprimidos através do Seu jugo (que é leve), onde toma sobre Si o nosso fardo.
Jesus voltou para Sua terra natal apenas duas vezes (Mateus 13:53-58 e 6:1-6) e em ambos os casos fica evidente a incredulidade daqueles que O conheceram apenas como um carpinteiro. Era Seu costume assistir cultos na Sinagoga e ali se levantou para ler o rolo do profeta Isaías, lendo o trecho correspondente ao cap.61: 1-2, escrito em hebraico, traduzindo-o para o aramaico (a língua popular da Palestina) antes de pregar. Constatamos no v.21 que este dia estava profetizado no livro do profeta Isaías e cada parábola, cada ensinamento era uma pérola de Deus, um direcionamento para aquelas vidas tão sofridas. Daí sua afirmação: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” (v.21).Todos falavam bem dele e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios (v.22). Aquelas pessoas já tinham conhecimento da Sua fama obtida pelos milagres realizados em Cafarnaum (dera vista aos cegos, multiplicara pães e outros milagres), incitando-O a fazer o mesmo ali, em Nazaré. E, neste momento, quando se esperava um grande derramar de bênçãos e todos teriam suas vidas marcadas pelo poder de Deus, alguém olha para Jesus e pergunta aos presentes: “Não é este o filho de José, o carpinteiro? O nome de sua mãe não é Maria, e não são os seus irmãos Pedro, Tiago, José e Judas? Não estão conosco todas as suas irmãs?” (Mateus 13:55-56). Estavam vivendo no local e na hora da cura, mas foi lançada uma incredulidade impedindo que Deus operasse em suas vidas, pois passaram a olhar para as situações ao redor de Jesus, mais especificamente Sua família.
Se houvesse na terra um local para que pudéssemos chamar “o local da cura”, certamente todos se esforçariam ao máximo para estarem lá; se houvesse um preço para este tipo de cura (cura da vida), sem dúvida todos fariam o possível para pagá-lo; o mesmo se passaria se houvesse uma longa distância a percorrer, um grande sacrifício a ser feito para receber esta cura, mas Jesus nos revela que este local é onde estão o doente e o médico. Deus descomplica a vida humana e através de Jesus, na sinagoga, diz: “fui ungido para isto, o poder está sobre a minha vida e vim anunciar publicamente o plano de Deus e Seu modo de operar”. Só este conhecimento já dava condições a qualquer pessoa de ser um abençoado de Deus. Tudo estava preparado para a realização de muitos milagres; curas e libertação seriam uma realidade, mas alguém “tropeça” naquilo que mais facilmente nos afasta de Deus – Sua família, Sua casa e Sua terra (leia Marcos 6:4).
Continuando a análise do texto, vemos Jesus fazendo profundas revelações através de dois fatos ocorridos no passado (leia VV.25-26). Sidom era uma rica cidade da Fenícia, terra de gentios, pessoas que não eram consideradas povo de Deus, pagãos, sendo a idolatria de seus habitantes um laço para os israelitas. No entanto, a única sobrevivente a grande seca era desta região. Citando outro fato, Jesus se reporta a época do profeta Eliseu (leia v.27). A viúva de Sarepta e Naamã, o siro, eram duas pessoas que não pertenciam ao povo de Deus, mas não desvalorizavam a maneira simples com que Deus opera em toda a história da humanidade. Deus faz milagres em lugares singelos, através de pessoas humildes, orações puras, sem propaganda, alvoroço ou estardalhaço. Necessitamos de um grande Deus para uma grande cura, mas não de um grande método. Podemos observar que grandes milagres feitos por Jesus, aconteceram ao ar livre – debaixo de uma figueira, num barquinho a beira-mar, sem aviso prévio. Suas grandes revelações foram feitas a poucas pessoas (em algumas ocasiões feitas a uma única pessoa). Sua primeira revelação de que era o filho de Deus foi feita a um cego de nascença que acabara de curar (João 9:35-41). Mesmo assim poucos são os que não tropeçam na família de Deus, nos locais onde Deus opera e nos Seus métodos. A incredulidade que acometeu os israelitas continua atacando a igreja nos dias de hoje.
Há pessoas que se manifestam dizendo: veja, sou até propenso a crer em Deus quando ouço a Palavra, mas lembro-me de um irmão, um crente, um pastor aqui, outro ali... Estão olhando e encontrando defeitos na família de Jesus aqui na terra. Parece-nos que o único que não vê defeito na própria família é Jesus. Ele sempre ouvia críticas sobre Seus discípulos, Seus profetas como homens que erravam e cujo modo de agir desagradava a muitos; acabavam vinculando Deus aos Seus servos, esquecendo-se que profetas são servos e Deus é o Senhor. O que precisamos não está com os servos e sim com Deus. Não podemos tropeçar nestas coisas, pois seremos vítimas da nossa rejeição tanto quanto o foram as pessoas na época do profeta Elias.
Imaginemos quantos necessitados produz uma seca de três anos e meio na terra. Nos primeiros seis meses, certamente a fé continua presente, mas após um ano sem chuva, com a terra improdutiva, credores, fome, crianças morrendo, sofrimento atroz, as pessoas começam a censurar, Inicialmente contra os servos de Deus, depois contra Sua família (seus filhos), contra os profetas, contra Deus e prosseguem nas críticas. Nos momentos de dor e sofrimento, a tendência é culparmos alguém de Deus ou até o próprio Deus. Mas para nossa surpresa e alegria, Jesus esclarece que o problema não estava em Elias que foi duramente rejeitado na época por aborrecer o povo com sua pregação, visto que a palavra anunciada por ele confrontava o povo a escolher entre Deus e Baal já que viviam coxeando entre dois pensamentos, acreditando em deuses e em Deus, misturando o Soberano com seus servos, os falíveis humanos. Jesus prossegue na sua fala colocando-se a Si mesmo e a Seus ouvintes na mesma situação que prevaleceu nos ministérios de Elias e Eliseu que foram rejeitados por grande parte de Israel.
Elias abordou uma viúva totalmente alheia a Deus pedindo-lhe sua última refeição para alimentar-se naquela época de tamanha fome (I Reis 17:8-16); a mulher, sem qualquer questionamento, sem qualquer tropeço atende ao profeta. Sabemos que Deus não precisa de profetas, mas não opera sem eles; nunca lhes deu glória, mas age através deles. “Certamente o Senhor, o Soberano, não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). Temos que aprender com Jesus que quando colocamos o servo à frente do Senhor, já perdemos a benção de Deus; quando rejeitamos o Senhor através de um dos seus servos, nada obteremos de Deus. O mesmo passou-se com Eliseu que era profeta de Deus, tinha a unção para evangelizar, a palavra de Deus para purificar, mas foi rejeitado pelos compatriotas que tropeçaram na família de Deus, ficando o Senhor impedido de curar. Israel tinha muitos leprosos, mas quem se viu limpo da lepra foi Naamã, um comandante do exército sírio, um gentio (II Reis 5:1-14). E aquelas pessoas que se maravilhavam com as palavras de Jesus enfureceram-se com a comparação feita deles com aqueles judeus menos indignos do favor divino, do que os próprios gentios (leia VV.28-30)
Na Bíblia vemos muitos aceitos por Deus sendo rejeitados pelos outros. Parece-nos que todos querem Deus por um caminho diferente de onde Ele quer vir. A igreja é a casa de Deus, mas muitos querem receber direto de Deus e não através da igreja. Deus tem uma maneira descomplicada de alcançar uma vida e precisamos descomplicar nossa maneira de entendê-lo. Temos que perder essa herança cultural de uma humanidade caída onde tudo que é de longe é melhor, tudo que é caro é bom, tudo que é complicado é perfeito. Por isso vemos Jesus sendo tão desacreditado na terra e coisas totalmente sem poder sendo tão valorizadas, aceitas só porque são complicadas, distantes, inexplicáveis.
A grande seca em Israel foi um período horrível com suas ruas cheias de cadáveres. Não havia ninguém feliz na terra e o profeta Elias chega à casa de uma viúva sem anunciar com pompa a sua chegada, mas abordando-a com simplicidade, indagando sobre que alimento havia na casa e pede-o para si. A mulher simplesmente atende seu pedido sem qualquer complicação ou desconfiança e é ricamente abençoada. O grande general Naamã (que se era general porque servia a uma nação pagã), em Israel não seria nem soldado – teria que ficar fora dos muros da cidade; foi alcançado por Deus através de uma menina que havia sido levada cativa na guerra contra Israel e que servia como doméstica em sua casa. A jovenzinha diz a sua patroa: “Se meu senhor estivesse diante do homem de Deus que está em Israel, ele o restauraria de sua lepra”. Ninguém em Israel acreditava que o profeta Eliseu tivesse poder para tal feito. Mas lá na Síria, as boas do Deus de Israel foram levadas através daquela menina. Não prestaram muita atenção na maneira simples como Deus opera, pois Naamã, em busca da cura, foi cometendo um serie de erros. Errou quanto ao homem (procurou o rei, quando era o profeta); errou quanto ao preço (era de graça e ele queria pagar); errou quanto ao lugar (era no rio Jordão com suas águas barrentas, mas ele queria nos rios Abana e Farfar de águas cristalinas); errou quanto à atitude da alma (era com humildade, mas apresentou-se com orgulho). Ia voltando leproso até que alguém argumentando sabiamente convence-o a mergulhar no rio Jordão; ia tropeçando no servo de Deus quando a benção está em Deus. Estes servos são falíveis – o carro do mecânico também quebra, um médico também adoece, a vida de um cientista também tem questionamentos, por isso Jesus declarou: “O Senhor me ungiu” mostrando assim que o poder está em Deus e se Ele quer agir do modo simples, graciosamente, num lugar humilde, no meio de seu povo, usando incultos, Ele o faz.
Nunca ouvimos, na terra, alguém afirmando que aqui estava para evangelizar pobres (somos pobres de tudo que nos falta: conhecimento, Deus, paz, saúde, alegria, felicidade, dinheiro também), mas Jesus afirmava: “vim trazer esta riqueza aos cativos, aos oprimidos”. “Basta que me ouçam e aceitem a minha palavra para que fiquem libertos e curados”. Aonde Deus chegar com sua palavra, com seu modo de agir e de curar e sua palavra for aceita sem questionamentos, ali chegará a liberdade. Isto é tão poderoso que não conseguimos prever ou definir a hora do acontecimento. É comum o testemunho de pessoas dizendo: “comecei a estudar a Bíblia e a minha vida mudou”, mas não conseguem precisar o momento em que se iniciou a mudança. A Palavra de Deus é como água que chega num copo de barro e não se contamina, permanecendo cristalina. Onde ela é aceita como Deus a envia e encontra fé, traz Deus e Deus traz tudo o que pode fazer por uma vida.
Temos que admitir – muitas vezes estamos tão pertos de Deus, mas olhamos para Seus servos, Seus métodos, Sua igreja e acabamos nos desanimando. Nunca olhe para outra direção! Olhe para aquele que pode curar sua vida. Nunca ouça ninguém; ouça a Palavra de Deus, pois Ele afirma: “assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei” (Isaías 55:11). Diz ainda o Senhor: “não é a minha palavra fogo, e martelo que esmiúça a penha?” (Jeremias 23:29). A Palavra de Deus é a sua dinamite – detona qualquer tipo de impedimento, porém ela age do jeito de Deus, na Sua hora e na Sua simplicidade. Amém!
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva
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