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Boas Intenções e Cerimoniais Não Bastam
(I Crônicas 13:8-14)
Inicialmente este texto nos parece estranho e fala de um período onde a arca (objeto central do Tabernáculo), símbolo da presença de Deus, já não era reverenciada no meio do povo de Israel. E Davi, cheio de boas intenções, teve a idéia de trazê-la para Jerusalém restaurando assim o culto e devolvendo a vida religiosa do povo. Encontrava-se a arca nos arredores de Quiriate-Jearim, na casa de Abinadabe, um israelita da tribo de Judá, onde permaneceu por vinte anos, depois de ter sido restituída pelos filisteus. Davi reuniu todos os israelitas para trazerem a arca de Deus. Da casa de Abinadabe levaram a arca num carroção novo, conduzido por Aiô e Uzá (filhos de Abinadabe). Uzá, num determinado lugar, esticou o braço e segurou a arca (para que não caísse), porque os bois haviam tropeçado. No mesmo instante o Senhor o feriu por ter tocado na arca e Uzá morreu ali mesmo. Um grande temor veio sobre Davi e todo o povo (estima-se trinta mil pessoas), que iam dançando e cantando com todo o vigor diante de Deus, ao som de harpas, liras, tamborins, címbalos e cornetas.
Numa reflexão inicial, quantas pessoas não estão enganadas quando dizem: “o que vale é a intenção!” Mesmo quando encontram o fracasso e lidando com a dor causada por ele, consolam-se dizendo: “mas eu tive boa intenção!” Encontramos neste texto e também em II Samuel, capítulo sete, Davi tendo duas amargas experiências onde Deus deixa claro que para Ele boas intenções não bastam, por mais grandiosa que seja a oferenda. Elas devem seguir os Seus moldes, Suas instruções, pois o Senhor não desce ao nosso nível só porque a oferta é grande, estupenda aos olhos humanos. A tendência humana é achar q ‘tudo que é simples é desprezível e tudo que é grandioso é aceitável’.
As instruções sobre o transporte da arca foram dadas a Moisés (leia Êxodo 25:14 e Números 4:15; 7:9). Davi não procurou conhecer e observá-las, e assim suas boas intenções não foram aceitas pelo Senhor. A obediência às ordens do Senhor é mais importante que os ritos religiosos. As coisas de Deus têm que ser levadas a sério, pois Ele pode ver nossos corações e conhece nossas mentes, e não se deixa enganar pela aparência externa. É triste ver pessoas servindo a Deus de maneira tal que Ele não se agrada, comportando-se de modo que Deus não gosta e ao questionarmos esta maneira de agir, muitas delas, numa arrogância, num atrevimento, ou numa cegueira tal respondem: ‘a minha intenção é boa!’ Como a dizer: ‘Senhor, se isto não lhe agradar... é o melhor que tenho.’ ‘Contente-se com isto.’
Uzá foi castigado por não obedecer às instruções para o transporte da arca. Sua morte enfatizou a todas as futuras gerações, a necessidade de reverência e conformidade para com as coisas de Deus. A arca jamais poderia ter sido colocada em um carro ou qualquer outro meio de transporte; nunca deveria ser tocada – havia varas especiais para transportá-la.
No livro de II Samuel 7: 1-13, temos o outro exemplo onde Davi se propõe a edificar uma casa (templo) para habitação do Senhor, pois até então Deus era adorado em cabanas, no Tabernáculo pelo deserto ou no meio do povo, na tenda da congregação. Davi queria oferecer a Deus alguma coisa para “encher os olhos” e no v.7 o Senhor diz-lhe: “por onde tenho acompanhado os israelitas, alguma vez perguntei a algum líder deles,... Porque você não me construiu um templo de cedro?”... ”escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo...” “Será ele quem construirá um templo em honra ao meu nome...” (vv12 e 13) e em I Crônicas 22: 7-8 (leia), Davi dá mais detalhes sobre o que o Senhor lhe disse. Esta foi a segunda e grande lição que Davi aprendeu com Deus que, grandes ou boas intenções não bastam. Tampouco grandes cerimoniais podem fazer Deus mudar de idéia. Imaginem as cerca de trinta mil pessoas cantando, dançando e tocando ao Senhor numa grande procissão, no entanto quando Uzá morreu, Davi teve medo de Deus e desistiu de levar a arca para sua casa.
Trinta mil pessoas numa procissão nos fazem imaginar que Deus estará satisfeito. Nos dias de hoje, a multidão se ajunta de uma maneira quase incontável para fazer coisas para Deus, em nome de Deus, e se organizam em passeatas, procissões, queima de fogos, saudações, mas ninguém se questiona para saber se este é o modo como Deus quer. Como Deus usou a Davi! Como este homem fez tanta coisa boa e quanto aprendemos com ele! Mas estes dois exemplos de erros cometidos na sua vida servem de orientação para a nossa vida.
Com a desistência de Davi de levar a arca para Jerusalém, ela foi conduzida para a casa de Obede-Edom, o geteu, levita da família de Coré, do clã de Coate, cujos filhos cuidavam dos objetos sagrados a Deus, estando, portanto, autorizado a cuidar da arca, que lá permaneceu por três meses, trazendo bênçãos sobre toda a família e sobre tudo o que Obede-Edom tinha. Lembremo-nos que a benção de Deus é sem medida. Este texto nos mostra a grande diferença entre o que fazemos para Deus e o que fazemos com Deus. Há uma grande diferença entre fazer algo para Deus achando que estamos lhe agradando, e em Lhe ofertar ou fazer algo porque Ele ordenou. Vejam os resultados na vida de Uzá e na vida de Obede-Edom.
Se perguntássemos hoje, quem quer para sua vida as bênçãos que Obede-Edom recebeu, certamente não encontraríamos, na Terra, um templo que comportasse o número de pessoas que diriam: “eu quero”! Acontece que a benção de Deus não está separada de Sua pessoa e Ele não pode ser separado de Sua vontade que está expressa, escrita na Bíblia, não podendo estar nas nossas intenções e cerimoniais. Atualmente temos grandes ajuntamentos no mundo, para artistas, para a fama, mas ajuntamento para Deus não é tão comum. Cremos que se conseguirmos um extraordinário ajuntamento, por certo Deus vai ficar impressionado. Puro engano! Aprendemos assim, que a “arca de Deus” (a presença de Deus), não é separada da Sua orientação.
Jesus era o Verbo encarnado, a palavra, a orientação, o ensinamento e Sua presença em nossa casa (vida), nos abençoa, aos nossos familiares e a tudo o que temos. Obede-Edom não fez nada de extraordinário para que pudesse ser tão abençoado. Simplesmente, como levita que era, recebeu a arca em sua casa e não se atreveu a fazer nada que contrariasse as instruções de Deus, como agiu Uzá, mesmo agindo com boa intenção. Até parece que Deus necessita da força e cuidados humanos para preservar o que é seu! Quando a arca foi tomada pelos filisteus, que a colocaram dentro do templo de Dagom, ao lado de sua estátua, no dia seguinte encontraram Dagom caído, rosto em terra, diante da arca do Senhor! (leia I Samuel 5:1-5). As afrontas ao Senhor não vão além do que Ele permite. A nós nos compete simplesmente fazer para Deus aquilo que está ordenado na Sua palavra, não podendo ir além ou ficar aquém disto, mesmo que tenhamos boas intenções.
Quando a arca foi conduzida para a casa de Obede-Edom, não foi com uma grande procissão e tampouco tinha ele uma santa e grande intenção, a não ser cumprir o que estava preordenado e isto bastou para que Deus abençoasse sua casa. Parece-nos ver Obede-Edom praticando um cristianismo simples, fundamentado na obediência da orientação dada pelo próprio Deus. Moisés também aprendeu e ensinou isto mais do que ninguém. Quando chegou a época de liderar o povo pela caminhada no deserto, na saída do Egito, depois das grandes experiências com Faraó e as dez pragas, do mar Vermelho se abrir e das instruções divinas sendo dadas a ele diretamente por Deus, o próprio Deus faz-lhe uma proposta que seria irrecusável nos dias atuais – propõe mandar um anjo diante dele, lançar fora todos os seus inimigos e colocá-lo numa terra que mana leite e mel. Era como se dissesse: ‘Moisés, você terá um anjo (com toda a sua formosura, poder e sabedoria) ao seu dispor; os seus inimigos serão todos destruídos; financeiramente você vai morar na terra e terá tudo do bom e do melhor’ (muitas pessoas, tendo só um destes benefícios, já estariam satisfeitas!).
Mas Deus também disse: “Eu não irei com vocês, pois vocês são um povo obstinado e eu poderia destruir-lhes no caminho”. Diante destas horríveis palavras, o povo começou a chorar e ninguém mais usou enfeite algum (Êxodo 33:1-5). Moisés então diz ao Senhor: ‘Se tua presença não for conosco, não nos faça subir daqui’ (Se tua presença não estiver na minha vida, não quero dar um passo sequer!). Moisés não se preocupou com o inimigo, nem com a terra muito farta, e nem com o anjo (um poder sobrenatural). Ele queria a presença do Senhor! E o Senhor lhe responde: “Eu mesmo o acompanharei, e lhe darei descanso” (Êxodo 33:14). A presença do Senhor faria tudo que o anjo faria e mais – lhe daria repouso, tranqüilidade e paz em todos os seus caminhos.
Precisamos de prosperidade, de bons salários, mas esta necessidade não acaba nunca. Os nossos confrontos de hoje, onde o poder do inimigo é grande, daqui a um tempo não os teremos mais, mas outros estarão nos tirando a tranqüilidade. O anjo poderia destruir nossos inimigos diariamente, mas onde ficaria nosso repouso? Onde estaria a paz prometida pelo Príncipe da Paz? Se tivermos a presença de Deus conosco, teremos as mesmas vitórias prometidas a Moisés, através da presença dos anjos que acompanham a Deus, bem como o Seu repouso para nos dar descanso. A presença de Deus é mais que a presença dos anjos, porque Ele é onipresente, onipotente e onisciente e isto nos traz uma segurança tal, que nada no mundo poderá igualar-se a ela.
O rei Davi aprendeu muito com o episódio da condução da arca e três meses depois a reconduziu para o seu devido lugar, na sua casa, em Jerusalém e a bênção de Deus veio sobre sua vida. Poderemos não ter nenhum problema financeiro, nenhum inimigo, por terem sido destruídos, mas se não tivermos a presença de Deus, estas coisas não encherão nosso coração de alegria, não nos trarão paz, não nos farão repousar. Precisamos de todas elas, mas devemos abrir a nossa casa, o nosso coração, a nossa vida e desejarmos ardentemente o que pode nos abençoar – a presença de Deus.
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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Última atualização (Ter, 22 de Novembro de 2011 11:31)
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