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Perigo do Sucesso Humano
(Lucas 12:13-21)
A princípio, nos parece que a palavra perigo não combina em nada com a palavra sucesso. Perigo combina mais com fracasso, mas esta palavra aparece, geralmente, num caminho por onde circula muita gente que não tem consciência do risco que corre sua vida. É um aviso que, num primeiro momento, nos parece um “tira-prazer”, levando-nos quase sempre a mudar de direção. “Perigo” é uma palavra não muito agradável, pois nos orienta a desviarmos nosso pé ou nossa vida de um determinado caminho, com o objetivo de abençoá-la.
Tudo que conhecemos na vida parece-nos ter uma “setinha” indicando para o sucesso, e nunca para o perigo do sucesso. A muitas obras escritas que indicam o caminho para o sucesso, mas nos parece que somente a Bíblia e Jesus, através da Bíblia, nos dizem “perigo”. Não é pecado ser bem sucedido, mas é perigoso. Tampouco coisas prazerosas ou até muito compensadoras deixam de ser perigosas. Exemplo: dirigir um veículo qualquer é perigoso e a prova disto é que, no Brasil morrem muitas pessoas dirigindo, a qualquer hora do dia ou da noite. Neste texto bíblico em estudo encontramos Jesus ensinando, ressaltando o perigo do sucesso, e que perigo é diferente de pecado. Pecado é algo terrível e condenável, mas perigo é só um aviso, um alerta para salvar a vida, o sucesso e evitar o fracasso. Dirigir um automóvel é perigoso, imaginem como é perigoso conduzir uma vida! E a nossa vida está sob o nosso controle.
Neste texto Jesus está a nos orientar sobre o perigo do sucesso em nossa vida. O versículo 13 nos mostra duas pessoas, um homem representando a humanidade, e outro, um ser divino, representando a Deus. E neste versículo nos parece que o ser humano é insatisfeito, limitado e está sempre buscando algo. Geralmente tem problemas com a família – com a que viveu, com a que tem ou com a que quer construir. Uns querem construir uma família, outros tentam manter-se dentro de uma, outros querem reconstruir uma família. Poucas são as pessoas que estão alheias a estes problemas humanos. Aqui o homem revela um problema de injustiça e de natureza financeira e que todo o curso de sua vida poderia ser mudado se Deus ordenasse a “seu irmão” que repartisse com ele sua herança. Este foi o motivo que o levou até Jesus. Em nem um momento pensou em aproveitar a presença do Mestre e dizer-lha: “o que devo fazer diante deste problema?” Mas ele só queria que o irmão atendesse a sua expectativa e acabou fazendo o caminho inverso, numa atitude exclusivamente humana. Sempre achamos que “o outro” é que precisa aprender algo de Jesus e nunca que Jesus pode ter uma revelação para nosso coração.
No v.14 temos a resposta divina para os problemas humanos: “Homem, quem me designou juiz ou árbitro entre vocês?”, como a dizer: “Não vim para resolver o caos da humanidade, mas para salvar a humanidade do caos”. Os problemas que temos são gerados por nós ou por outros, como conseqüência de um governo humano, que tirou Deus deste governo e assumiu dirigindo a vida com suas próprias leis. Deus ficou de fora de suas decisões e todos se vêem seguros do que querem e do que fazem principalmente os “donos do mundo”. Destarte o mundo caminha para a destruição. Vendo-se o homem mergulhado no caos, clama e diz: “Senhor, resolva o problema do mundo!” Jesus responde: “não fui constituído juiz, tampouco repartidor”. “Não fui enviado para solução de causas humanas”. Ele não era juiz humano, nem político humano, tampouco um advogado humano; também não fazia justiça humana. Era salvador do ser humano, e todos os dois precisavam de salvação, pois a herança, a justiça, a família, não resolveriam este problema. Os dois continuariam numa vida destinada a destruição.
No v.15 Jesus dá um conselho divino para a humanidade – a placa de “perigo” é erguida. Lembremo-nos de que estamos conduzindo uma vida que é eterna acreditando nisto ou não, e carecemos de uma segurança, uma orientação divina, senão o seu destino não será bom. Ressalta ainda que, a vida de um homem não consiste na quantidade de seus bens. Aqui na terra temos o prestígio a honra e a valorização humana; os bens que nos dão estas coisas são passageiros (duram no máximo um século), mas a vida continua, pois é eterna. E do modo que a direcionamos neste início, assim seguirá por toda a eternidade. Nossa vida nos foi dada e nos será requerida pelo Criador. Dentre as muitas coisas de que devemos nos guardar e até proteger a nossa vida, está a avareza que é o apego sórdido, sujo, imundo, nojento ao dinheiro. Se recebemos do Senhor uma vida bela, tenhamos cuidado, pois ela poderá ser muito assediada; é um ótimo modelo para servir de sedução, perversão e que vai terminar destruída. O mesmo pode acontecer com uma vida feia (também na aparência) que será assediada, pois poderá servir como um ótimo modelo para a opressão, rejeição, possessão, perversão e que também terminará em destruição. Pode acontecer com a pessoa culta, sábia, inteligente ou leiga, pois o inimigo quer destronar Deus da nossa vida e depois ocupar o Seu lugar. Inicialmente ele quer possuir a nossa vida; se não puder vai tentar nos fazer possuí-la, pois seu intento é fazer com que deixemos Deus fora de nossa vida.
Num todo, parece-nos ver a humanidade se conduzindo para lugar nenhum. A maioria das pessoas chega ao fim da vida com os mesmo questionamentos que teve durante o caminhar. Correu, batalhou, suou, sonhou e chega ao fim perguntando: “para que tudo isto?” Não sabe de onde veio, onde está e para onde vai! Porque lhes falta direção divina. “Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção”. “Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda”. “Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento” (Salmo 127:1-2).
Como estamos estudando sobre o perigo do sucesso, vemos que primeiramente Jesus dá uma resposta ao homem (humanidade) seguido de um conselho e agora dá um ensinamento através de uma parábola (Seu método preferido). É um método de ensino que usa a comparação entre fatos e coisas tipicamente humanas para revelar o que é conhecido na vida divina. É como um professor que quer ensinar a matemática que já está na sua mente, para um jovem aluno. Então usa figuras que fazem parte da vida deste aluno (frutas, lápis, objetos variados) para revelar a matemática em si. A partir do v.16 Jesus conta-lhes uma parábola: “O campo de um homem...”, ou seja, na área de atuação da vida de um homem qualquer, deu tudo certo – teve uma hiperprodução, e de repente viu-se muito prospero, muito rico e não queria desperdiçar seus bens, tanto que “pensou consigo mesmo” (usava a razão, a mente, onde encontrou a produção) (v.18). Nos vv.18 e 19 vemos a satisfação deste homem quando diz: “meus celeiros, minha safra, meus bens, minha alma” (referindo-se aos seus desejos, vontades e emoções). Tinha agora muitos bens, queria ter muitos anos de vida para comer, beber e regalar-se, vivendo uma vida esplendorosa.
Deus está a nos dizer o procedimento da humanidade é assim – a razão do sucesso é chegar à nossa vida; a solução e a satisfação da humanidade estão nele. Jesus acertou “em cheio”, pois qualquer ser humano inteligente, trabalhador, empreendedor, racional e equilibrado fará exatamente o que o homem da parábola fez. Mas o perigo do sucesso aparece no v.20 quando Jesus chama este homem de “louco” (ele tinha um projeto de vida tão proveitoso e lucrativo, porém agia com uma insensatez e uma imprudência sem precedentes), foi porque ele amou o sucesso e desprezou a Deus que o fez bem sucedido. “O campo de um homem rico produziu com abundancia.” (v.16.). Se Deus não desse a chuva, o sol, a fertilidade da terra, a semente, a saúde pessoal deste homem, não haveria produção de nada. Se Deus não nos habilitar em tudo o que fizermos, se não “colocar forças em nossos braços” e não capacitar-nos mentalmente, não iremos a lugar algum. Quando a vida se torna próspera, bela, devemos entender que isto vem de Deus (leia Tiago 1:17). Nossas posses são apenas emprestadas (leia I Timóteo 6:17).
O homem foi chamado de “louco” porque “arrazoava consigo mesmo” (v.17). Não consultou a Deus sobre sua vida tão prospera e tentou reservar as bênçãos de Deus unicamente para seu próprio beneficio (leia I Timóteo 6:18). Julgou que está vida era muito valiosa, esquecendo-se de que ela é eterna e que a produção de seu campo era passageira. Não consultou ao Senhor sobre como dirigir a vida. Para dirigirmos um veículo, precisamos consultar a lei (feita por homens) e para conduzir a vida, temos que consultar seu autor, o Criador, o consumador da vida. Ele nos orientará com relação a tudo que se relaciona a ela.
Não conhecemos nosso futuro, portanto não sabemos nos conduzir com segurança; precisamos consultar quem sabe. Não podemos cometer a mesma loucura daquele homem que esperava viver muitos anos, usufruindo de tudo o que tinha (“meus celeiros, minha safra, meus bens, minha alma”) esquecendo-se de lembrar-se da sua vida, de onde veio, para onde iria, como iniciou sua vida e onde poderia terminar. Como Deus o havia abençoado tanto, porque não se dispôs a consultá-lO sobre o que fazer com tanta produtividade? Vemos que, de fato, a única riqueza duradoura é possuir a Deus (leia João 17:3).
O sucesso é muito bom, a benção é um favor divino, a vitória é uma conquista, um êxito que obtemos em qualquer campo e tudo isto é Deus quem nos provê, para nossa satisfação. O perigo está em como nos comportamos diante de todas estas dádivas divinas, pois quanto mais ricos formos em nossa vida, mais “ladrões” existirão para roubá-la. Quanto mais fortes nos fazemos, mais o inimigo se esforça em fazer com que sejamos nosso próprio deus. Deus nos dá força, caráter, boa índole, riquezas exteriores e interiores para nos abençoar; para sermos ricos, felizes, mas temos que ser cuidadosos, pois existe perigo ao nos conduzir no meio do sucesso, e assim Ele nos alerta para que nosso sucesso não termine em tragédia ou fracasso. Todos os livros humanos nos ensinam a alcançar o sucesso e nunca como lidar com ele. Isto é o que faz a Palavra de Deus, para que sejamos bem-sucedidos na terra e depois daqui, na presença de Deus. Amém!
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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