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Coração Guardado
(Provérbios 4: 20-27)
O texto em estudo é rico em advertência carinhosa – “filho meu”... Vamos nos aprofundar no v.23 que diz: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida” (NVI). Em outra versão bíblica lemos que “do coração procedem as fontes da vida”. Guardamos uma infinidade de coisas, pois cremos que poderão nos ser úteis um dia ou num determinado momento, mas deixamos de guardar coisas fundamentais em nossa vida como, por exemplo, o nosso coração. A Palavra nos orienta a guardá-lo acima de tudo. Coração na Bíblia é a sede dos sentimentos e dos impulsos do homem (tudo que o leva a uma ação). Segundo Lucas 6:45, “a boca fala do que está cheio o coração”, porque o coração é o centro da vida.
Como podemos “encher” o nosso coração? Lembremo-nos primeiramente de que a vida humana é espírito, alma e corpo, sendo ela indivisível. Somos um espírito usado pela alma para viver e que ocupa um corpo. Analisando estes aspectos da vida, inicialmente veremos o espírito; nele existem a consciência (é a percepção do que se passa em nós e à nossa volta), e a fé (“é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” [Hebreus 11:1]). Na alma estão intelecto, sentimento e vontade. No intelecto temos a imaginação (onde projetamos coisas), a memória (onde guardamos dados), e a razão (onde analisamos e julgamos). Esta é a parte da nossa alma que nos difere dos animais. Outra parte da alma, o sentimento, é que nos faz um ser emotivo e está evidente nas “obras da carne” (Gálatas 5:19-21) e no “fruto do Espírito” (Gálatas 5:22-23). Nosso intelecto juntamente com nosso sentimento produz a vontade, desejos variados (trabalhar, liderar, dominar, fazer sexo...). Por isso quando a alma fica ferida e adoece, perdemos totalmente a vontade
No corpo temos os cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) que são as “portas” pelas quais conduzimos “coisas para o homem interior. Não existe “corpo fechado”. Existe “corpo preenchido”, com Deus entronizado e ocupando todas as suas dimensões. A visão quer dizer direção da vida; a audição, orientação da vida; o olfato, percepção da vida; o paladar diz respeito à alimentação do corpo e o tato, da sensibilidade do corpo. Em síntese, o nosso coração é o nosso homem interior e ele vai ser “enchido”. Por quais portas? Se vivemos daquilo que nosso coração está cheio, quando foi que ele se encheu? Certamente foi quando abrimos as portas de entrada, que são os sentidos do corpo ou deixamos de fechá-las nos momentos necessários.
A primeira “porta” dos nossos sentidos é a visão; podemos olhar tudo e ver somente o que nos interessa. Mas ao deixarmos esta porta aberta para tudo, nosso coração guardará coisas que não interessam para nos dar vida. Pode acontecer de vermos algo e no momento seguinte ficarmos transtornados, trêmulos, perdidos, assustados... Vimos algo, nos interessamos por ele, recebemos, deixamos que entrasse e alojasse em nosso coração, conseqüentemente estaremos vivendo aquilo. Se olhássemos e não víssemos aquela cena, logo faria parte de um passado lançado no mar do esquecimento, sem atingir nossa vida. A visão é a principal porta da vida, tanto que Jesus nos falou sobre nossos olhos (leia Mateus 6:22-23). Os olhos são nosso vínculo com o mundo visível e nem tudo que há no mundo é bom para nossa vida. Há coisas abençoadoras, mas há também demônios, cenas horríveis que se mostram travestidas de “obras maravilhosas” ou mesmo na sua feiúra, se nos apresentam como feitos dos quais não podemos fugir.
“Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (I Tessalonicenses 5: 21), ou seja, podemos ver de tudo e olhar somente o que é bom para a nossa vida, pois ao olharmos, estamos observando com atenção. Exemplo: Podemos estar em um show, vendo muitas coisas no palco, mas nossos olhos se fixarão numa determinada coisa e isto estará entrando em nosso coração. Lembremo-nos de que no mesmo ar em que está o cisco, a poeira, a poluição, também está o oxigênio. Quem sabe cuidar de sua casa abre as portas quando o tempo está bom, mas fecha-as quando o tempo está ruim. Abre no momento certo e fecha também no momento certo, porque a pessoa tem este poder de decisão. Vivemos num mundo que mostra muita coisa ruim, mas neste mesmo mundo temos Deus, Suas obras, Sua criação, Suas pessoas. Basta deixarmos de ver abstratamente e passarmos a olhar diligentemente, que encontraremos Deus, Sua sabedoria, Sua ordem e equilíbrio no universo, Suas maravilhas, para que entrem e se alojem em nosso coração. Davi é um bom exemplo de alguém que tinha portas abertas para Deus e portas fechadas para o que não era de Deus. Por isso sua vida explodia em júbilo ao Senhor.
A segunda porta da vida, também muito importante, é a audição que é o sentido pelo qual percebemos os sons, que é tudo que impressiona nossos ouvidos. Temos a opção de ouvir o que queremos que entre em nosso coração e no v.20 do texto em estudo lemos: “Meu filho, escute o que lhe digo; preste atenção às minhas palavras”. Está é uma das formas de enchermos nosso coração – escutando. Prestar atenção, “inclinar os ouvidos” nos predispõe a valorizar a mensagem e continua no v.21: “Nunca as perca de vista (focar o entendimento); guarde-as no fundo do coração, pois são vida para quem as encontra e saúde para todo o seu ser”. A Palavra de Deus não é “um fardo de doutrina e de prática”, uma sentença pesada. Ela nos aponta para Cristo cujo fardo é leve, nos concede vida em abundância e cujos mandamentos trazem a plenitude da comunhão com Deus e da presença do Espírito Santo, o Consolador. Com relação à saúde, até os médicos, atualmente, não deixam de reconhecer o valor que uma fé religiosa tem para conservar a inteira personalidade em bom estado de saúde.
Muitas vezes o inferno manda mensagens para encher nosso coração de amargura, tristeza, ódio e deixamos que entrem por nossos ouvidos, instalando-se em nosso coração e assim acabaremos vivendo todas elas. Mas podemos escolher não ouvir. Devemos inclinar nossos ouvidos para a Palavra de Deus, pois geralmente nosso dia, nossa vida, nosso mundo são transformados após permitirmos que algo entre em nosso coração. Se entrar ódio, viveremos ódio; se entrar amor, viveremos amor e assim por diante.
Os judeus tinham muita preocupação com a contaminação do corpo, mas Jesus os alertou para a contaminação do coração (leia Mateus 15:11; 18-20). O que prejudica nossa vida é o mal, concentrado no intimo do ser humano e exprimido através da boca e que entrando pelos nossos ouvidos poderão transformar negativamente nosso homem interior. No livro de Tiago cap.3, temos relatados os pecados da língua e o dever de refreá-la e em Provérbios cap.4, lemos sobre o dever de guardar o nosso coração.
O olfato (a terceira porta) é a capacidade que temos de perceber o mundo através dos odores. Em II Coríntios 2:15, a apóstolo Paulo diz: “Porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo”. Significa que mesmo antes de mostrar ou falarmos algo, algumas pessoas já percebem, sentem o cheiro de Cristo em nossa vida (nossa fala, nosso relacionamento, nosso modo de viver, nosso modo de trajar); para os que estão perecendo somos cheiro de morte, mas para os que estão sendo salvos somos fragrância de vida (II Coríntios 2:16). No que ouvimos podemos ter a percepção, sentir “o cheiro” da direção das palavras. Podemos encontrar pessoas perfumadas que têm algo que impressiona nossos olhos, mas ao “abrir sua boca” percebemos o mau cheiro de sua vida. A sua fala nos é totalmente desagradável. Esta nossa percepção também se manifesta diante do que vemos (lugares, ambientes, pessoas, substâncias) e nos ajuda a proteger nossa vida.
.O sentido do paladar (a quarta porta), que é o gosto, o sabor, é o que mais conhecemos. Sabemos que pelo mesmo lugar que nos alimentamos podemos contaminar nosso corpo; pelo mesmo lugar que colocamos saúde, podemos colocar doença e até morte para nosso corpo. Podemos ter muita coisa para comer diante de nós, mas sabiamente não comeremos de tudo, no intuito de proteger nosso corpo. O nosso paladar interfere no homem interior quando o corpo está danificado, doente e a alma fica sem ter como usá-lo. É como um músico pronto para executar a melodia, mas o instrumento está quebrado. A música não pode ser tocada; a vida fica emperrada. A má alimentação pode prejudicar a nossa personalidade, pois a imaginação, a memória, a razão podem estar bem, porém, se qualquer parte do nosso aparelho digestivo não está bem, causando-nos mal estar, nosso corpo não produzirá a vontade da vida, impedindo a alma de usá-la.
O tato (a quinta porta) é a percepção através do toque. O toque nos permite identificar formas, temperaturas, objetos, pessoas, animais, plantas, etc. Temos que ter a percepção de saber que Deus, apesar de ser espírito, nos toca. Como não somos só corpo, somos também espírito, podemos sentir o Seu toque. Identificamos mais facilmente o toque do mal porque nos causa arrepios, medo, pânico. O inimigo também é um ser espiritual e podemos percebê-lo, senti-lo, mas somos quase insensíveis aos toques de Deus – um sopro, uma intuição, um incentivo, que podem manifestar-se no nosso espírito, alma e corpo.
Se deixarmos nosso coração aberto a tudo, passaremos toda a vida tentando expulsar os “maus inquilinos” que se alojaram em nossa vida pondo-nos doentes. Só assim se processará a cura. Temos que estar cientes de que tudo que guardamos em nosso coração passou por uma das portas do nosso corpo e como seres espirituais, temos autoridade sobre o corpo, abrindo ou fechando suas portas. Podemos fechar estas portas até para Deus (leia Apocalipse 3:20). É como se alguém desse boas vindas à convivência com Cristo. Quando um indivíduo abre a porta do seu íntimo (a tranca sempre é para o lado de dentro) e ouve a chamada de Cristo, então Ele entra para dirigir sua vida e lhe oferece Sua convivência, Sua paz, Sua alegria.
Mesmo sem ver e sem ouvir, podemos sentir Deus, o Seu toque, a Sua presença, a Sua pessoa, a Sua direção, porque Ele é espírito e nós também o somos; Ele é uma pessoa divina, nós somos uma pessoa humana e pessoas se comunicam e até sem usar palavras. Pessoas se percebem a distância e têm muitas maneiras de se notarem, se aceitarem e se rejeitarem. Se o Espírito Santo estiver entronizado em nosso coração, mas abrímo-lo para que “outro” entre, Ele não nos impedirá desta ação, porém se distanciará de nós (leia Mateus 12:43-45). Exclusivamente pela obra de Cristo é que Satanás não tem acesso à personalidade humana; se, no entanto, a pessoa não permite que o Espírito Santo tenha inteiro controle sobre sua vontade, todo o seu ser corre perigo de se deixar levar novamente pela força do diabo e seus auxiliares. Desta forma, “acima de tudo, devemos guardar o nosso coração, pois dele depende toda a nossa vida”. Amém!
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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