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Vale a Pena Ter Fé
(Hebreus 11:1-6)
Dentre as boas coisas que este texto nos ensina está a de que vale a pena ter fé, ou seja, pagamos “um preço”, “um castigo” ou “um sofrimento” pela certeza daquilo que esperamos e da prova das coisas que não vemos. Nunca poderemos nada mais além do que temos. Exemplo: caminharemos enquanto tivermos pernas; veremos enquanto tivermos visão; ouviremos se tivermos audição; pegaremos se tivermos mãos e assim por diante. Mesmo estando nós necessitados e outra pessoa tiver a mercadoria disponível, somente poderemos comprar se tivermos com o que pagar.
Com Deus funciona de forma semelhante. Precisamos de coisas para viver uma vida plena que o dinheiro, o crédito, o ouro, a prata, o sal e todas as demais formas de pagamento não conseguem pagar. Deus conhece as nossas necessidades e tem o que nos é necessário, mas é imprescindível que o “paguemos” com algo que se chama FÉ, que nada mais é do que o meio de possuirmos muitas coisas que estão à nossa disposição, para que tenhamos uma vida abundante. (veja Isaías 55:1)...”venham todos vocês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem...”. Que convite alvissareiro! E é dirigido a todos os necessitados, de todos os tipos, sem limitação de raça ou de povo: Deus distribui Sua misericórdia à medida que é aceita pela fé. E ela é dada a todos que reconhecem sua necessidade, portanto, sem a fé não obteremos nada de Deus. Ela é o valor que movimenta a Sua mão em nossa direção.
Fé também não é esta coisa abstrata que existe por aí; aquela coisa totalmente invisível, intocável, imperceptível e inexplicável. Fé é tudo e às vezes não é nada. Vejamos, não é fácil encontrarmos pessoas tendo fé em Deus. Elas têm fé (pensamento positivo) que a corrupção no governo vai acabar que o próximo ano será muito próspero, que ela terá uma grande proposta de emprego, etc. Esta fé é chamada na Bíblia de “fé morta”, ou seja, uma fé natural, humana. Mas a fé que vale a pena ter é a fé em Deus. Ela tem dois objetivos: faz com que nossa confiança seja absoluta na existência de um Deus eterno, imortal, invisível, mas real (I Timóteo 1:17) e nos dá a certeza de que este Deus presentea todos os que O buscam de coração. O mundo invisível é mais real do que o visível – não vemos o vento, mas ele é real; não vemos a dor, mas ela é real; não vemos a tristeza, mas ela é real; quase todos os nossos conflitos são invisíveis às pessoas, mas eles existem!
Vale a pena ter fé! Há valor em fazer um sacrifício para adquirir algo que funciona. Por que trabalhamos tanto? Por que nos sacrificamos tanto? Porque vale a pena! O trabalho nos dá condição de adquirirmos muitos bens, inclusive nosso alimento (isto é mais honroso do que ganhar uma cesta básica). E porque vale a pena, nos sujeitamos a várias coisas que nos desagradam, mas que tornam-se insignificantes diante da satisfação do trabalho realizado e remunerado. Possuímos a visão e para que usufruamos dela, temos que pagar um preço – ver muitas coisas que nos são desagradáveis. Mesmo assim vale a pena enxergarmos! Quantas palavras, sons e ruídos já ouvimos e que tanto nos desagradaram... Quantas vezes nos pusemos extremamente tristes, magoados, feridos por termos ouvido palavras que entraram como espada em nosso coração, mas ainda achamos que vale a pena termos audição. Quantas vezes amaldiçoamos a hora em que fomos a determinados lugares, ou em que fizemos algumas coisas, mas nem por isso queremos ficar sem nossas pernas ou nossas mãos. Precisamos é nos cuidar para que usemos bem tudo o que temos.
Todos nós chegamos ao mundo sem nada e sem nada sairemos daqui. Se não soubermos usar o que Deus nos deu, perderemos a oportunidade, pois “as riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu” (Provérbios 23:5), porque a riqueza é instável. Temos que ser moderados no trabalho e não nos preocuparmos em trabalhar demais com vistas a ajuntar grandes posses. Sofremos mais por termos bens do que pela falta deles. Durante um tempo teremos visão, audição, pernas, mãos, dinheiro, vida e é temeroso “gastarmos” estas coisas, mas vale a pena gastá-las. Semelhantemente vale a pena ter fé e teremos que pagar o preço por isto. Conseguimos muito na vida com nossos esforços e méritos, mas nos falta muito mais que só Deus pode nos dar e só poderemos adquirí-las com fé (veja Hebreus 11:6). O autor de Hebreus explica que devemos nos aproximar de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, com nossa consciência purificada de atos que nos levariam à morte e testemunhando ao mundo a nossa expectativa em relação ao nosso futuro. O preço a ser pago por isto é ser ridicularizado e até incompreendido
O crente reconhece que as coisas temporais e materiais (aquelas que são acessíveis aos nossos sentidos) não são mais reais do que Deus e a Sua palavra que as criou. A fé nutre a realidade de Deus (veja Hebreus 11:3), mas sempre é mais fácil acreditar no visível. Para Deus, fé é a certeza do invisível e incredulidade (falta de fé) é a crença no que viu, ou mesmo naquilo que alguém viu e contou. Ex: mesmo sem termos visto as Muralhas da China, não temos a menos dúvida de que elas existem. Acreditamos também naquilo que um dia já vimos e não mais está ao alcance dos nossos olhos (por ex., o mar), e Deus nos desafia a acreditarmos no que não vimos, mas que Ele viu e nos revelou através da Sua palavra. Acreditar em Deus é viver na contramão da maioria. Muitos nos pedirão explicação deste nosso modo de viver, rirão da nossa crença e tentarão fazer-nos desistir da nossa fé em Deus.
Dentre os exemplos de fé extraídos do Antigo Testamento e elencados no livro de Hebreus, o primeiro citado é Abel (cap.11:4). Por que não Adão? Porque Adão viu e falou com Deus. Sua fé não era baseada no invisível. Abel não viu a Deus, mas ouviu sobre Ele através de Adão e mesmo sem vê-lO ofereceu-Lhe um melhor sacrifício que Caim, cujo sacrifício fora oferecido sem fé. Enoque pagou o preço de “agradar” a Deus numa época de total idolatria (Gênesis 5:21-24).Seu “prêmio foi ser trasladado para não ver a morte. Depois de muitos anos, vendo o Senhor que a maldade do homem se multiplicara na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era sempre e somente para o mal, arrependeu-se de tê-lo feito. Noé porém era homem justo, íntegro entre o povo da sua época; ele andava com Deus e mesmo sem nunca ter visto um dilúvio (Deus lhe anunciara “trazer águas sobre a terra, o Dilúvio”), acreditou no Senhor e deu toda a atenção a Seus avisos. Abrão não sabia para onde ir quando foi chamado (lembremo-nos de que Deus só prometeu a terra de Canaã após a volta de Abrão do Egito [Gênesis13: 14...]), mas mesmo assim depositou sua total confiança em Deus. Fé significa entrar obedientemente no desconhecido (cap.11:1). Deus está a nos mostrar quem andou por fé e quem andou sem fé, desde que o homem existe; quem pagou o preço para crer e quem deixou de crer, com a Bíblia relatando os acontecimentos e o destino final de cada um deles.
O que vemos hoje é que muita gente não sacrifica mais, não comunga mais, não testemunha mais porque não quer pagar o preço de ter fé. E não tendo fé, não temos Deus. Sem Deus o inimigo nos rouba a vida, a paz, a alegria, a comunhão, a saúde e também a eternidade.
Continuando nos exemplos de fé relatados na Bíblia, temos ainda a peregrinação de Abraão, bem como a de Isaque e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa de Deus; o poder de gerar um filho que Sara obteve, apesar de estéril e avançada em idade; o oferecimento de Isaque (o filho da promessa) como sacrifício feito por Abraão e continua com uma lista riquíssima de pessoas que agiram pela fé (Hebreus 11:8-39). Mas no v.40, lemos que Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem todos eles aperfeiçoados, tornados completos. Essa finalização, a realização de todas as promessas de Deus está na vinda do Reino de Cristo do qual já usufruímos e devemos compartilhá-la.
Ter fé tem o seu preço e não é em “valores”; é um preço em firmeza, em ouvir a palavra de Deus, dar-lhe crédito e andar por ela. Só obtemos fé ouvindo a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo, ou seja, é preciso ouvir a palavra de Deus e crer nela. E esta crença tem conseqüências, mas vale a pena irmos até as últimas delas. Numa ocasião, Jesus viu seus discípulos desanimados, com dívidas para pagar, família para ser sustentada e após lançarem as redes por uma noite inteira, nada pescaram. Para solucionar o problema do abatimento dos discípulos, Jesus lança a palavra para testar-lhes a crença (veja Lucas 5:1-6). A declaração de fé de Pedro está “porque mandas, lançarei a rede”. Pedro observou que ele e seus companheiros não conseguiram fazer uma boa pescaria, à noite, no melhor período para tal, mas contra todas as indicações (a hora, o desânimo) Pedro obedece a seu Mestre, confiado na ordem recebida. Pedro havia acreditado no seu conhecimento, na sua força e não foi bem sucedido; mas quando creu na ordem de Jesus, “aquele com direito de mandar”, obteve uma pesca maravilhosa.
Deus não muda; Ele é verdadeiro, puro. Nós é que acreditamos muito mais no visível – uma fé que ofende a Deus. Temos fé naquilo que alguém já viu, falou, teorizou, ensinou, elaborou, ritualizou e que um dia vimos, lemos, cremos e executamos “sem pestanejar”, mesmo tendo Deus um caminho seguro, sem probabilidades.
No cap.11 de Hebreus, há exemplos de fé para qualquer situação na vida – conflito interior, problema financeiro, opressão, exemplos de pessoas desorientadas e perdidas que num determinado momento ouviram a palavra de Deus e pagaram o preço de crer. Noé ouviu muita zombaria enquanto construía a arca (veja v.7); a sua fé condenou o mundo, porque contemporâneos dele se fizeram surdos diante da proclamação da mensagem divina. Moisés também foi zombado e preferiu sofrer o ultraje do povo de deus em lugar de abraçar os prazeres terrenos da corte do Egito. Também seus pais tiveram fé em Deus sem temerem a opressão de Faraó (veja VV 23-27).
Pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões (Josué 2:1-14), não foi morta com os que haviam sido incrédulos e conseqüentemente desobedientes à palavra de Deus (v.31). Raabe morava no muro da cidade de Jericó; não tinha honra, moral, ouro, prata, esperança, mas creu no relato de que a cidade seria destruída por Israel. Também foi preciso fé para que os guerreiros de Israel destruíssem aqueles muros de maneira tão incomum. Seu ato de fé produziu os resultados que desejavam; Deus deu-lhes a vitória sobre seus inimigos (Josué 6). A partir do momento que Raabe ouviu a palavra de Deus, teve sua vida totalmente transformada pelo poder da Palavra e aparece aqui, na galeria dos heróis da fé, onde no final do texto lemos que “o mundo não era digno destas pessoas”(v.38). Vemos assim que uma pessoa que tem fé em Deus, e paga o preço de não abandonar esta fé e viver por ela, passa a ter uma posição muito alta no conceito de Deus, um valor enorme no Reino dos Céus a ponto do mundo tornar-se indigno de sua vida.
Na seqüência da leitura (veja VV 32-39), vemos uma provável alusão à ressurreição do filho da viúva de Sarepta (I Reis 17:17-24) e à do filho da mulher sunamita (II Reis 4:32-37). O autor de Hebreus ressalta também que nem todos que tiveram fé alcançaram vitórias – pelo menos, não de imediato. Zacarias foi apedrejado (II Crônicas 24:20,21) e o profeta Isaías foi serrado ao meio, de acordo com a tradição judaica; Elias vestia-se de vestes de pelos de camelos (Mateus 3:4) e Urias foi morto a fio de espada (Jeremias 26:20-23). Mas o v.40 diz que “provendo Deus algo melhor a nosso respeito”. Por quê? A honra, a glória, o poder e a autoridade que Deus tem para nossa vida são melhores, pois os “heróis da fé” não alcançaram a promessa – viveram antes de Jesus e morreram crendo, pela fé, que o Messias viria. Mas para nós que vivemos após a vinda de Jesus, Deus havia planejado coisa melhor – a Igreja, que está numa posição melhor que os santos do Antigo Testamento. Tudo que temos a fazer é crer e como eles fizeram, pagar o preço da fé. Quem andou pelo caminho da fé jamais foi decepcionado. Todos os elencados em Hebreus 11 conheceram Deus e a Sua palavra em momentos difíceis da vida, muito mais difíceis do que vivemos hoje.
Temos muitos problemas a serem resolvidos na nossa vida e que ninguém, nem mesmo as pessoas que mais nos amam, mais preparadas ou até mesmo uma grande sorte poderão nos ajudar. Somente Deus poderá fazê-lo e Ele só vem a nós pela nossa fé. Não existe outro caminho! Precisamos colocar Deus em nossas vidas, em grande quantidade. Não é uma referência, uma citação, uma lembrança – é trazê-Lo para dentro da nossa vida. É ter mais d’Ele, do Seu ensino, da Sua mansidão, do Seu amor, da Sua companhia a ponto de dizermos como o apóstolo Paulo:...”já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus...” (Gálatas 2:20).
Em todos os períodos em que Deus tratou com a humanidade, Ele só agiu por meio da fé. O autor de Hebreus nos fala que “quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”(Hebreus 11:6). O mundo está em crise, mas ainda tem paz, pois Jesus é o Príncipe da Paz; o mundo está sendo roubado, mas ainda há proteção contra o inimigo – Jesus afirmou: “as portas do inferno não poderão vencer a minha igreja” (Mateus 16:18). Há saída, há cura, não está tudo perdido. Dê um voto de confiança em quem merece – em Deus. Deu certo com os pescadores ao lançarem as redes sob a palavra de Jesus; dará certo ainda hoje em 2011. Se Jesus não voltar e a sua palavra estiver na terra, dará certo em 2012, pois Ele afirmou “os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão (Mateus 24:35); “estou vigiando para que a minha palavra se cumpra” (Jeremias 1:12). Diante de declarações tão poderosas, creiamos em Deus e mantenhamos nossa fé nEle porque, “pela fé podemos clamar, enxergar, tocar, mudar, alcançar e viver”, pois “não haverão muralhas que ficarão de pé diante de nós” – pela fé. Amém!
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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