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Ser Igreja É Uma Benção
(Mateus 18:15-20)
Vemos pelo texto, principalmente no v.17, que Jesus dá grande importância à verdadeira união na igreja, a ponto de que, se um irmão pecasse contra outro e se recusasse a ouvir também a Igreja, ele deveria ser tratado como gentio ou publicano. Dum modo geral os gentios eram todos aqueles que não aceitavam que Deus se tivesse revelado aos judeus, permanecendo eles então na idolatria. Os publicanos (cobradores de rendimentos públicos entre os romanos) eram tidos, pelas suas rapinas e extorsões, como ladrões e gatunos. Entre os judeus era odiosa a profissão dum publicano, principalmente sendo ele judeu, pois eram olhados como traidores e apóstatas, instrumentos do opressor, e classificados como pessoas do mais vil caráter. Em síntese, o irmão que errasse, não querendo se retratar seria disciplinado sendo tirado da comunhão da igreja. E esta seria uma perda extremamente dolorosa para o disciplinado.
Jesus deixa assim uma autoridade com a Igreja numa dimensão que não conseguimos aplicar na nossa vida. No contexto deste texto, Jesus diz a Pedro: “eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...” (Mateus 16:18). Pedro no original grego é Petros, e pedra é petra. Petros é uma pedra móvel, grande ou pequena (pode ser arremessada), enquanto petra é uma rocha. A pedra sobre a qual Cristo edificaria Sua Igreja é a confissão de Pedro: “Tu és o Filho de Deus, o Cristo”. “Edificarei a minha igreja...” nos mostra que a Igreja ainda não havia começado.
As bênçãos de Deus para a Igreja são profundas, grandes, incontáveis e não nos parece chegarem à nossa vida na mesma proporção. Provavelmente não entendemos a autoridade e o compromisso de Deus para com a Igreja, tampouco o nosso compromisso com Deus através da Igreja. Humanamente falando, a Igreja tem leis (direitos e deveres) muito fracas quando comparadas com as leis que regem a nossa vida secular, como as leis trabalhista, social, municipal, tributária, do trânsito. Qualquer lei humana, primeiramente compromete o cidadão e depois ele vai à procura de seus direitos.
Analisemos algumas leis que nos regem: Porque pagamos impostos, é dever do Estado dar saúde, educação, vias pavimentadas e muitas outras coisas. Mas ele não consegue cumprir com o seu dever e não temos como puní-lo. Ele é muito forte e ficamos à sua mercê; às vezes, por meio judicial, conseguimos com que ele cumpra com parte do seu dever. Na lei espiritual as coisas acontecem de forma inversa. Quando o homem pecou, conseqüentemente herdou a morte, distanciou-se de Deus, ficou perdido e sem direito algum, mas Deus comprometeu-se com o homem, planejou a remissão dos seus pecados através de Jesus Cristo e criou a Igreja para que o homem fizesse parte dela. E o texto de Mateus mostra a seriedade e a autoridade que a Igreja tem em ligar e desligar, termos que se referem àquilo que é proibido e aquilo que é permitido. São termos judiciais, o que explica ter sido dito: “tudo o que vocês ligarem...” e não todos. Os termos será ligado e será desligado também são muito importantes, pois traduzem uma promessa de que seríamos guiados segundo o que a Igreja determinasse.
Se alguém quiser ir para o céu, ouvir Deus, aprender d’Ele, deve entrar para a Igreja, pois Deus vai revelar-se, proteger, dirigir e conduzir a Igreja. Ele planejou a salvação do homem em Jesus; Jesus criou a Igreja e habita nela com seu Espírito Santo e o compromisso que tem com a pessoa individualmente, é através da Igreja. Mas como as leis humanas da Igreja não prendem, não oprimem, nos sentimos desobrigados, sem nos darmos conta de que esta atitude traz enormes prejuízos para nossa vida que nada mais é do que descomprometermo-nos de Deus. Entendemos com este texto e alguns outros que, todas as bênçãos de Deus para nossa vida individual estão ligadas ao nosso compromisso com Deus através da Igreja. Não é possível nos comprometermos diretamente com Deus.
Ilustrando, vamos usar a lei do ensino – para que alguém seja alfabetizado, adquira conhecimento e aprenda o que é ensinado, é necessário freqüentar uma boa escola, ter bons professores que usam bons métodos de ensino e ele tem que ser um bom aluno, comprometendo-se com o aprendizado. Sem estes critérios será impossível que ele aprenda o que é ensinado. Com a lei da cura se passa o mesmo – para sermos curados, quando doentes, temos que ser “paciente”. Sermos internados, medicados, alimentados com dieta especial e fazermos muito repouso. Se não seguirmos estes critérios, de nada adianta termos o hospital, o médico, o plano de saúde, etc. Provavelmente, pela fragilidade das leis humanas da Igreja, temos a idéia de que basta freqüentá-la e as bênçãos “jorrarão”. Mas apesar da freqüência, muitas vezes nos sentimos desobrigados como Igreja que somos – não concordamos com o dízimo, com as ofertas, com o pastor, com o louvor, com o modo como é conduzido o culto, etc., etc. É bom lembrarmo-nos de que Deus está comprometido com a Igreja por nossa causa. Ele não a criou para os anjos, querubins ou para Ele próprio. A Igreja foi criada para nós e Deus se comprometeu tanto com ela que deu Sua vida por ela. No livro de Apocalipse Ele revela que está entre Sua Igreja, é aquele que tudo vê e com ela permanecerá enquanto ela aqui estiver (leia Mateus 28:20b).
Através da Bíblia entendemos que a Igreja se compromete porque sabe que Deus se comprometeu com ela – somos arrolados nela um a um, convencidos pelo Espírito Santo e ali, na Igreja, somos abençoados individualmente sem nos darmos conta de que isto é uma conseqüência do nosso compromisso com ela. A Bíblia fala que fomos “ajuntados”, “reunidos”, “juntamente edificados” e em vários outros textos lemos que, “seremos arrebatados”, “abençoados”, “guiados”, “salvos”. A linguagem referente à Igreja, sempre está no plural (seremos, somos), pois o compromisso de Deus é com a Igreja. Se estivermos descomprometidos com ela, conseqüentemente estamos descomprometidos com Deus. As grandes promessas de Deus estão todas no plural. Dessa forma, vemos que nosso relacionamento com Cristo é pessoal e não particular.
As leis humanas da Igreja são frágeis, mas a Igreja é espiritual sendo regida por lei divina. E esta lei nos leva a comprometermo-nos de forma que temos direitos e deveres para com a Igreja (corpo de Cristo). A Igreja é um organismo vivo e somos membros vivos só enquanto estivermos ligados a este corpo. Em Romanos 12:5 lemos que somos muitos e formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. Encontramos muita gente pensando que, mesmo não estando comprometido com a Igreja, pode estar comprometido com Deus. Veja como a história do centurião Cornélio nos mostra que isto é um engano (Atos 10:1-48).
Cornélio era um gentio de origem italiana, interessado, mas não convertido ao judaísmo. Cultuava o mesmo Deus dos judeus e observava as leis judaicas, mas não era circuncidado. No relato da história, o anjo diz a Cornélio que procure por Pedro que lhe diria tudo o que havia sido ordenado da parte do Senhor (v.33). O anjo nada disse a Cornélio porque ele não era “Igreja”; não tinha o poder de ligar e desligar na terra. Ele era uma criatura celestial. Pedro então anuncia a Cornélio o evangelho da paz – “você tem que aceitar Jesus como seu Senhor e fazer parte da Sua Igreja”. “Jesus morreu, ressuscitou, fundou a Igreja, e mandou que vivêssemos unidos na comunhão, no partir do pão, até o dia da Sua volta”. ”Se morrermos antes, estaremos com Ele; se Ele voltar antes, estaremos com Ele da mesma forma”. “Quem morreu será ressuscitado e os vivos serão arrebatados”. Este é o caminho para a Igreja. Ela é o plano e o propósito de Deus para o mundo.
Jesus disse: “eu edificarei a minha Igreja...”. Só Jesus tem Igreja na terra – todos os demais são membros – pastor, presbíteros, diáconos, conselheiros, líderes, etc. Os dons são dados visando o bem comum. Deus opera nos cristãos para beneficiar todo o corpo, não simplesmente o cristão isoladamente (I Coríntios 12:25,26). O Cristão é um veículo por meio do qual Deus opera a fortificação e unidade de todo o corpo, e não a finalidade da obra de Deus. A igreja de Jesus é imbatível e quem não a aceita, rejeita Jesus, seu Corpo e Deus. Dentro da igreja temos um valor indescritível e fora dela não temos valor algum (somos “gentios” e “publicanos”).
Queremos paz individualmente, mas paz sendo fruto do Espírito é concedida à Igreja, pois é ali que o Espírito atua; o mesmo ocorre com amor, alegria, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. A autoridade que Jesus dá a Igreja nos leva a “tratar a todos com o devido respeito: amar os irmãos (a Igreja), temer a Deus e honrar o rei” (I Pedro 2:17). Segundo as leis humanas a Igreja é tão frágil que Jesus a compara com um aprisco, o cristão com uma ovelha e Jesus é o pastor. O mundo está abarrotado de “vozes de Deus” falando para a Igreja através da TV, rádio, púlpitos, mas Jesus afirma – “as minhas ovelhas conhecem a minha voz (João 10:4) e não seguirão as “vozes”. Somente ovelhas doentes seguem o estranho.
As leis humanas que nos “prendem” à Igreja são frágeis, mas as leis espirituais que nos advertem sobre o nosso comprometimento com ela são fortíssimas. Se faltarmos ao trabalho, seremos advertidos, mas se deixarmos de ir à Igreja, depois de algum tempo, alguém poderá comentar a nossa ausência; espiritualmente ficaremos prejudicados, pois não seremos alcançados pelas bênçãos dadas a ela. Notem que cristãos comprometidos com a Igreja são abençoados, protegidos, saudáveis. Podemos mudar de igreja sem mudar de reino (reino é um território que está submisso a vontade de um único soberano). A Igreja é um local onde prevalece a vontade, a palavra, a direção e a proteção de Deus. Se tiver outro soberano neste lugar, já não é mais a igreja de Jesus. Há pessoas que estão na igreja, mas completamente fora do Reino pela sua ausência de compromisso com Deus e sua Igreja. Diante disto até entendemos a ausência de tantas bênçãos e alianças de Deus na nossa vida individual.
Deus olha para a Terra e vê três povos: os gentios, os judeus, e a Igreja. Os gentios são os que não aceitaram a Jesus como Salvador – serão condenados; os judeus são os descendentes de Abraão – serão restaurados na Grande Tribulação e a Igreja, noiva de Cristo, será arrebatada da Terra. Se não sou Igreja, então sou gentio ou judeu; se não sou judeu então sou gentio (povo que será condenado). No mundo espiritual, quando observados por demônios, eles não nos vêem como pessoas e sim como Igreja que tem um senhor – Jesus. Se não nos comprometemos com a Igreja, não temos obrigações para com ela e quando observados por demônios, seremos vistos como individuo – “um gentio ou judeu”. Que diferença incrível tem isto diante de um ataque espiritual! (Leia João 13:35; I Coríntios 12:14,27).
As leis que regem a Igreja destronam o ego porque nela não prevalece nada que é humano. A pessoa segue a orientação dada por Jesus porque é “membro” e este só faz o que “a cabeça” manda. Na Igreja não há espaço para caprichos humanos ficando nivelados todos pertencentes a ela – Jesus é o Senhor e todos os demais são servos. Esta é a nossa identidade – somos servos, pertencentes e guardados pelo único Senhor dos céus e da terra – Jesus Cristo, o Senhor dos Senhores. A regra para ser Igreja é a mesma para todos – se não nascermos de novo, não poderemos ver o Reino do Céu, independentemente da autoridade, do conhecimento, da sabedoria, do poder que nos reveste. Temos que nos tonar um simples membro comprometido com o corpo e vivendo segundo as leis que o regem, ditadas pelo Senhor Jesus, o cabeça desse corpo. Do contrário seremos membros fora do corpo, tornando-nos totalmente inúteis, “mortos”.
A Igreja também existe para nos fortalecer espiritualmente (leia Efésios 4:16). Nela não há individualismo. “todas juntas de cada parte” desse corpo são essenciais para seu crescimento, e nenhuma de suas partes é insignificante (I Coríntios 12:14-27). O mundo nos ensina a viver “cada um pra si e Deus pra todos”, mas na Igreja aprendemos que para crescer precisamos do cabeça (Cristo), da Bíblia (Sua revelação) e dos outros (o próximo). Neste relacionamento com o próximo, a nossa eficiência será questionada porque a santidade enclausurada (vivenciada para nós mesmos) é fácil de evidenciar-se, mas a santidade comungada encontrará gente desfavorável a ela. Daí a facilidade de ser bom quando se é só... Enclausurados temos a falsa idéia de estarmos corretos. A comunhão jamais será realizada quando sozinhos. Comunga-se se reunindo com os demais, visto que o espírito sempre estará acompanhando o corpo. Não é possível fazermo-nos presentes em qualquer lugar “em espírito”; nosso pensamento até se ausenta do corpo, mas espírito, alma e corpo são indivisíveis. Percebemos que na comunhão é que “nos arranhamos”, “nos espetamos”; afinal somos indivíduos. Por isso Jesus nos ensina o processo de restauração do cristão que errou. Primeiro, deve haver uma confrontação amorosa e pessoal entre os membros envolvidos. Segundo, outros membros podem ser consultados, provavelmente seguindo Deuteronômio 19:15. Estas “testemunhas” também seriam para qualquer tipo de acordo. Mas, se mesmo assim a paz não for possível, não havendo arrependimento ou acordo, o membro ofendido deve encaminhar o caso às autoridades da igreja. E havendo desrespeito para com a Igreja, o culpado deve ser excluído da comunhão e tratado como a um pagão, mas que deve continuar sendo alvo do nosso amor, pois a prova da verdadeira conversão é a humildade perante Cristo e perante os homens (leia Mateus 18:3,10).
Lembremo-nos de que quando Deus salvou-me, não lhe consultou, e quando o salvou, tampouco fui consultada. Somos irmãos gerados pela vontade do Pai. A compreensão deste fato e nosso comprometimento com a Igreja de uma forma espiritual faz toda a diferença na nossa vida individual. As leis humanas prendem o homem ao homem; as leis espirituais prendem o homem a Deus. Esta é a lei da liberdade – nos prendemos voluntariamente a coisas que Deus está comprometido, na mesma, ou até numa proporção maior de compromisso com as leis humanas, pois entendemos que a lei divina é muito mais abençoadora. Amém!
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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Última atualização (Qui, 01 de Dezembro de 2011 12:09)
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