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Cântico de Vitória
(Romanos 8: 31-39)
Vitória é o triunfo onde houve um confronto, uma competição, e o cântico de vitória é especial ao que batalhou e venceu. Neste texto vemos a vitória numa batalha ocorrida num tribunal – alguém que foi a juízo e saiu vitorioso; agora tem em seus lábios um cântico de vitória. “Que diremos, pois, a estas coisas? (v.31). Em essência , este versículo é a conclusão que Paulo apresenta para os oito primeiros capítulos desta carta aos romanos. Essa pergunta significa: Qual será a nossa resposta ao que foi dito?, como se estivéssemos no julgamento diante de um tribunal. Em Filipenses 2:10,11, lemos que “ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor,...” Alguns se dobrarão voluntariamente, pois receberam-no como Salvador e consequentemente escaparão do juízo (leia Romanos 8:1). Este quadro nos mostra um julgamento de última instância que ocorrerá no céu e a sentença será ‘vida eterna’ ou morte eterna’. É a nossa vida no julgamento final.
Desde que nascemos estamos em batalha contra a morte, pois somos seres trinos e não somente um corpo – recebemos de Deus a alma e o espírito que são eternos, lutamos pela vida eterna, mas temos dentro de nós uma herança de morte. Diante “destas coisas” Paulo pergunta’Que diremos nós?’ ‘Nos’, somos o réu neste grande julgamento. Recebemos de Deus a vida, mas esta foi contaminada e herdamos a morte que não estava no plano original de Deus. Ela entrou na vida por permissão de Deus – afinal não fomos feitos robôs e temos o livre arbítrio como também os anjos o têm. Por isso também ouve queda entre os anjos entrando a morte tanto no mundo angelical como no humano. A Bíblia não faz referência à morte física como um ponto final. Jesus Cristo nos mostra isto – foi crucificado, morto e ao terceiro dia ressuscitou; deu continuidade a sua vida.
“Se Deus é por nós...” Estas palavras de Paulo nos mostra Deus como nosso defensor e que ele tem plena confiança de que o propósito eterno de Deus será realizado porque Deus é Deus. Infelizmente Ele não é por todos, pois muitos não O aceitam e se perdem. Todo ser humano vivo é um réu; se não dobrar-se diante de Jesus como Salvador , após o arrebatamento poderá dobrar-se diante dEle como Rei. Como Salvador, Jesus salva (é o que faz agora), como Rei ele Reina, mas no grande julgamento Ele será Juíz – irá julgar, aplicar a lei e não convidar “Vinde a mim”. Deus será nosso defensor se tiver exclusividade em nossa vida. Na lei humana, na condição de réu, temos que admitir a necessidade de uma defesa, que não temos condições de pagar por ela e que não há ninguém que nos defenda gratuitamente. O Estado então nomeia um defensor para fazer a nossa defesa. Com Deus é semelhante – inicialmente temos que buscá-lO, reconhecermos que não temos outro defensor (tampouco podemos nos auto-defender), e também não podemos pagá-lO, pois nossos méritos não poderão fazê-lo. Infelizmente não são poucas as pessoas que entrarão na eternidade confiando em seus méritos... ‘Enquanto não entendermos que Deus é tudo o que temos, não saberemos que Ele é tudo que precisamos’. No mundo há muitos intermediários, intercessores, santos, como filosofias religiões – todas elas herança da cultura e da religiosidade e Deus não defende quem já tem defensor;não dirige quem já está sendo dirigido e não protege quem já está sendo protegido (leia Atos 4:12).
“Quem será contra nós?” Não significa que não temos nenhum adversário. O v.35 lista um grande número deles. Mas o apóstolo Paulo está a afirmar que não há nenhuma acusação que seja tão grande que possa contrariar o propósito eterno de Deus. O v.32 responde a pergunta do v.31 com uma nova pergunta, considerando que Deus nos fez o maior bem ao entregar ‘Seu próprio Filho’ para nos resgatar da morte. Estamos falando de um Deus que não desiste de amar. Quando este Deus amou o homem, amou intensamente, a ponto de não poupar Seu único filho, e continua amando. Deste Deus não existem dois. Ele é único. Outros tipos existem aos milhares na terra, de acordo com a cultura de cada país - um para cada gosto, um para cada povo, um para cada mente...
Neste julgamento já conhecemos o réu, a defesa, quem ela defende e quem não defende. No v.33 veremos sobre a acusação. Nos parece que a expressão ‘escolhidos de Deus’ ou ‘eleitos de Deus’ nos deixa imunes de qualquer acusação, mas em Apocalipse 12:10b, vemos que o acusador nos acusa diante do nosso Deus, dia e noite, mostrando-nos a atuação de Satanás – ele nos acusa para Deus dizendo que não somos dignos de sermos salvos e nos acusa Deus dizendo que Ele não se importa conosco. E assim segue com seus artifícios conseguindo separar Deus de muitas pessoas, porque elas se separam de Deus. Sua mais intensa acusação diante de Deus está contida em Ezequiel 18:20 e Gênesis 3:3 (leia-os). Ele cobra de Deus a punição ao homem para que então Ele não seja tido como não verdadeiro, falso, enganador da humanidade , e segue sua intensa acusação “cobrando” a palavra de Deus – (leia romanos 3:23 e 6:23). O homem não tem o direito de herdar a vida eterna, mas Deus fala em João 3:18 “Quem nele (em Jesus) crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado...” Condenados todos estamos, pois herdamos a morte na concepção, mas aquele que confia em Cristo, nasce de novo e recebe uma vida espiritual eterna, a vida do próprio Deus.
Segundo o padrão divino, niguém faz juz a vida eterna “porque à Tua vista não há justo nenhum vivente” (Salmos 143:2b) e “todavia, não há um justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7:20). Por isso que até a ressurreição de Jesus, todos que morriam (bons e maus) iam para a região dos mortos e lá ficavam (encontramos esta descrição em Lucas 16:20-31). No v.33b e v.34 de Romanos ,capítulo 8, Deus apresenta o nosso defensor – “É Deus quem justifica seus escolhidos e quem os condenará?” “ Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou...e também intercede por nós.” Se Deus, o Juiz Supremo, justificar-nos, então quem poderá agir contra nós e prosperar, ou ter sucesso no seu intento? É a partir do momento em que Cristo nos justifica e passa a interceder por nós que ninguém mais pode nos condenar. Aleluia! Écomo se Deus dissesse ao acusador: ‘qual a pena que você aplicaria a qualquer pecador?’ ‘Prenderia, mataria, torturaria, colocaria-no como espetáculo público?’ ‘Todas as penas foram aplicadas em Jesus que assumiu o lugar do culpado e foi punido sendo Ele totalmente inocente’. Quando somos apontados pelo acusador, Deus apresenta Jesus em nosso lugar e aí acontece o milagre da justificação – ficamos totalmente limpos, justificados mediante este ato de Cristo. Fomos sentenciados em Jesus. Gostamos de condenar, de sentenciar,mas no tribunal de Deus, nossa sentença é totalmente desvalorizada.Como poderemos condenar alguém quando Deus o está justificando?
Jesus está sentado agora à direita de Deus, cheio de glória e soberania, e de onde é eternamente exaltado. Intercede por nós, junto a Deus Pai, pela autoridade que é inata à Sua divindade. Por causa de Sua morte, da Sua ressurreição vitoriosa, da Sua ascensão aos céus e da Sua intercessão por nós, Ele selou o propósito eterno de Deus – fazer o cristão tornar-se semelhante ao Seu Filho. Por isso Jesus nos ensinou a orar ‘em Seu nome’, para que o Pai nos atenda.
No v.35, a acusação entra com um recurso – “Quem nos separará do amor de Cristo?” Como o acusador não conseguiu separar Deus de nós, agora apresenta adversidades – tribulação, angustia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada – adversidades que cobrem uma gama de experiências negativas que poderiam parecer desafios consideravelmente grandes à realidade do amor de Cristo. Estamos revestidos da Graça de Deus, mas ela não nos imuniza, tanto que Jesus nos alertou: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (João 16:33).Podemos ter na vida tribulação (são nossas lutas externas), angústia (são nossas lutas internas, na alma), que nos farão tentados a desistir de Deus, já que Ele jamais desiste de alguém. Estes são os caminhos tortuosos que Satanás usa para fazer-nos desistir de Deus, a “nossa defesa”, pois ele sabe que em Deus somos invencíveis, mas quando alcança seu intento e nos separa de Deus, então ficamos vulneráveis.
A Igreja de Cristo está em toda a terra e em lugares que sequer imaginamos, onde o cristão passa por todas aquelas adversidades listadas por Paulo, simplesmente por confessar a Jesus como seu Salvador. Mas a tentativa de separar-nos de Deus também poderá vir através de uma grande proposta de mudança (profissão, trabalho, residência, família) onde tudo do bom e do melhor que há no mundo, poderá fazer parte da nossa vida. Normalmente estas propostas nos impedem de termos uma comunhão e um compromisso sincero com Deus.
No v.36, Paulo cita o Salmo 44:22 – “Contudo, por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.” Ovelha não se auto-defende; é totalmente dependente da defesa do pastor, por isso é fácil maltratá-la. Somos pressionados por amigos, inimigos, familiares, ao passarmos por lutas e tribulações, e vivemos literalmente o que o apóstolo Paulo escreveu na segunda carta aos Coríntios, capítulo 4:11 – “pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a Sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal.” Em suas aflições o apóstolo participou do sofrimento e da morte de Jesus. Entretanto, o fato de suportar todos os tipos de provações cooperou para que a vida eterna fosse experimentada por todos aqueles a quem ele pregava o evangelho. Afirmava: “Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.” As provações e as dificuldades não apenas não podem nos separar do amor de Cristo, mas também torna-nos supervencedores (no grego), pois elas nos forçam a depender cada vez mais de Deus.
A acusação se levanta violentamente, mas o mesmo revestimento que estava em Cristo e não o imunizou da cruz, da vergonha, da coroa de espinhos, mas fê-lO vencedor, estará também sobre nós (leia vv.38 e 39). Absolutamente nada poderá separar o cristão do amor de Deus. Nada é tão difícil ou perigoso, nem a morte e nem a vida, que possa nos separar de Deus. Se Deus , o único ser não-criado, é por nós, nada neste mundo pode nos separar dEle, o que torna nossa segurança absoluta nEle. Fomos levados ao tribunal no dia em que aceitamos Jesus como nosso Salvador, e se Jesus nos aceitou, ninguém mais pode nos condenar. A mesma Graça e amor que revestiu Jesus, reveste a Igreja. Por isso a Igreja tem sofrido tantas baixas ao longo de sua história, mas nunca foi detida pelo inferno, pelo império ou por qualquer outra coisa e nem será, pois ‘as portas do Hades (esta palavra pode ser traduzida por inferno, sepulcro, morte ou profundezas) não poderão vencê-la!’ (Mateus 16:18b). Amém!
Obs: Texto baseado na mensagem proferida pelo Pastor Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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