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“O Primeiro Natal”
(Mateus 2:1-18)
O Natal é a maior e mais conhecida festa cristã. Apesar de ser cristã – uma festa relativa ou de acordo com o cristianismo – muitas vezes é comemorada como um verdadeiro insulto a Cristo. Nesta festa, com uma certa regularidade, o aniversariante sequer é lembrado; o ambiente não permite Sua presença e seus gostos, Sua vontade não são considerados. Esta reflexão nos faz concluir que a maioria das pessoas não gostariam de ter no seu aniversário, uma comemoração como as muitas que são oferecidas a Jesus. Não abordamos a festa em si, mas a celebração a Cristo, pois se a festa é cristã, Cristo deve estar presente, revelado, glorificado e não apenas lembrado, comercializado, cantado, contado ou exposto linda e artísticamente numa manjedoura.
A Bíblia nos apresenta um Cristo vivo, glorificado, triunfante, adorado, presente, revelado e temos aqui um texto que fala do primeiro Natal, cuja reflexão, certamente enriquecerá nossa fé. Tudo começa com uma busca cristã – ‘uns magos vindos do Oriente’ (provavelmente da Pérsia) e que a Bíblia não diz se eram três, mais ou menos. As lendas populares até atribuíram nomes a estes magos, ‘sacerdotes’ ou ‘sábios’, místicos que tinham algum conhecimento sobre astronomia, operando também com adivinhação e interpretação de sonhos, fazendo deles três reis orientais (talvez pelo número de presentes [v.11] e uma aplicação do Salmo 72:10-11). Porém, o Evangelho não se detem nestes assuntos.O fato deles serem do Oriente pode ajudar a explicar o motivo de seu interesse por um Messias judeu. Talvez esses homens tenham aprendido as Escrituras judaicas com os israelitas que foram deportados para a Babilônia e a Medo-Pérsia. De certo modo, é possível que os escritos de Daniel, que foi um sábio no Reino Babilônico, tenha atraído um interesse especial desses magos.
Realmente este ‘sábios’, de alguma forma, tomaram conhecimento através de uma busca pessoal por Deus – um ato de sacrifício que envolvia tempo, preparativos, custos (uma viagem com mais de 1000 km) e uma certa obediência, pois disseram: “vimos a sua estrela e viemos para adorá-lo” (v.2). O astrônomo Kepler calcula que se tratava da conjuntura de Júpiter e Saturno, no ano 7 a.C. Outros sugerem que se tratava de alguma estrela variável, que aparecia periodicamente, onde uma delas foi notada pelos chineses em 4 a.C. Os magos, como astrólogos, teriam interessado-se imediatamente pela estrela surgida no Oriente. O certo é que Deus concedeu, no tempo apropriado, a visão da estrela profetizada muitos séculos antes, por Balaão, e registrada em Números 24:17 (leia). Esta é a única profecia que fala de “uma estrela surgida de Jacó”.
Desde que Deus profetizou, lá no Édem, que Cristo viria (leia Gênesis 3:15), quatro milênios haviam se passado. Muitos profetas haviam profetizado esta vinda e muitos mestres ensinado sobre a chegada do Messias, mas nada havia acontecido até então. Sabendo que o Messias era um Rei, os magos foram procurá-lO no palácio do Rei Herodes, chamado o Grande. Herodes era um descendente de Esaú e os romanos chamavam-no Rei dos Judeus; porém Herodes nada sabia do nascimento desta criança e alarmou-se diante da pergunta: “Onde está o recém-nascido Rei dos Judeus?” Em Jerusalém, onde haviam os maiores ensinamentos religiosos, as grandes revelações de Deus, todos foram tomados de surprêsa e ficaram perturbados com a chegada destes estrangeiros que vieram do Oriente determinados a adorar o Deus vivo, o Messias prometido, o Rei dos Reis, quando ninguém tinha conhecimento do nascimento desse rei.
O rei Herodes era um governante astuto e teve um reinado marcado por crueldades e carnificinas. Era um homem cruel,bárbaro, sanguinário, sempre temendo por uma conspiração contra o seu trono, pois na região que reinava (Judéia), haviam muitos religiosos que aguardavam pelo profetizado surgimento de um rei. Diante daquela pergunta aterrorizante, reuniu todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei para saber onde deveria nascer o Messias tão aguardado. Essa procura a um “conselho judaico” revela que os líderes judeus foram informados com antecedência sobre a vinda do Messias. A rapidez da resposta que deram ao rei, citando Miquéias 5:2, demonstra que eles conheciam as profecias messiânicas (Mateus 2:6). Herodes então chama os magos secretamente e procura saber deles o tempo exato em que a estrela tinha aparecido e astutamente envia-os a Belém para que se informassem com exatidão sobre o menino e em achando-o, avisassem-no para que também fosse adorá-lo.
Depois de ouvirem o rei, os magos seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto, reapareceu indo adiante deles. Ao tornarem a vê-la, encheram-se de alegria e seguiram-na, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino – numa casa, juntamente com Maria, sua mãe, e, prostando-se, o adoraram. Abriram seus tesouros e lhes deram presentes: ouro, incenso e mirra. A adoração incluía presentes significativos: ouro, simbolizando a realeza; incenso, a divindade, o sumo sacerdócio; mirra, uma erva amarga, usada na preparação dos mortos, que apontava para a morte dolorosa e expiatória do Salvador. Além do simbolismo, é claro que eram presentes valiosos, ofertados para aquele que era por eles reconhecido, no mínimo, como futuro rei de Israel.
Ainda hoje, muitos não conseguem ter este encontro com Cristo por sua busca não ser sincera, sacrificial. É uma busca interesseira, superficial, direcionada para pedir algo – dificilmente é para oferecer alguma coisa. A celebração do Natal deve ser a celebração do dia em que Cristo nasceu para o mundo, um dia em que até Deus celebrou enviando anjos para cantar e anunciar “boa nova de grande alegria” – “hoje lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2:8-14). Deus havia cumprido a palavra dita no Édem e o Salvador se humanizou (leia João 1:14); o homem jamais poderia ir até Deus, mas Deus veio até ele. Ai da humanidade se Cristo não tivesse vindo ao mundo! Conseguimos celebrar libertações nacionais, municipais, datas, batalhas, mortes e não conseguimos celebrar o dia em que Deus se encarnou e se fez homem para morrer pela humanidade, reconciliando-a consigo mesmo. Certamente esta é a data mais importante para a humanidade celebrar, mas criaram-se mitos e alegorias; uns celebram uma festa onde Cristo não é presente, enquanto outros radicalizam-se e nada celebram.
Como seria bom se Cristo pudesse nascer todos os dias em nosso coração e no coração daqueles onde ainda não encontrou lugar para nascer! A vida tornar-se melhor, importante, maravilhosa, quando Cristo encontra nela lugar, mas da mesma forma que Ele não tinha lugar para ficar quando nasceu, ainda hoje não é diferente. As pessoas se alvoroçam, há um grande comércio, preocupações com decoração, recepção, uma grande inquietação, perguntas sem respostas convincentes, mas a busca sacrificial pela presença dEle ainda é tida como algo espantoso – coisa de religiosos fanáticos. Para os magos, o nascimento desta criança era um fato grandioso que compensava a viagem tão longa, o sacrifício feito e um custo daquela proporção. Seus presentes eram riquíssimos. Na época de Jesus já existiam grandes palácios, grandes fortunas, acúmulos de ouro e prata como existem ainda hoje; porém estes valores não são oferecidos para Deus – são buscados e requeridos de Deus, sendo dificilmente usados para Ele. Olhamos para o mundo e vemos como ele enriqueceu! Há transportes modernos e estremamente luxuosos, fortunas quase incalculáveis, mas ainda hoje o projeto de Deus, a Sua obra e Sua vontade são conduzidos com parcos recursos. Deus é anunciado debaixo de árvores, em salões alugados, lugares onde não se vê recursos, mas para qualquer outra obra – um presídio, um viaduto, avenidas, instituições públicas e financeiras, há recursos para que elas se concretizem “do dia para a noite”.
Voltando ao texto, vemos que os magos também não erraram na adoração. Não adoraram a estrela, Maria, a manjedoura, os anjos, o templo ou os sacerdotes – adoraram o menino, pois toda busca sincera é direcionada por Deus. Os magos compartilharam o que Deus havia destinado para suas vidas presenteando o Messias (Deus precisa disto) e certamente foram estas ofertas que patrocinaram a fuga de Maria com o menino para o Egito, pois Herodes queria matar aquela criança. Era Deus protegendo Seu Filho também através de recursos oferecidos pelos magos. Deus poderia ter mandado anjos e mais anjos para sustentá-los no caminho, ou mesmo ter aniquilado Herodes, mas Ele tem o Seu próprio modo de agir. Ao presentearem o menino Jesus, os magos não bloquearam as bençãos de Deus em suas vidas, pois “toda boa dádiva vem do céu” (leia Tiago 1:17). Na verdade, quando falamos de uma festa para Deus – sejamos francos – a festa é para nós (com raras exeções). Pedimos a Deus que nos enriqueça para que possamos fazer algo pela Sua obra, quando na verdade queremos fazer para nós mesmos – dificilmente voltamos nossos recursos para Deus, devolvendo-Lhe o que Lhe pertence, e assim acabamos caindo em muitas armadilhas. Os magos fizeram esta busca ao Rei dos Reis com um coração tão liberal, que Deus os protegeu carinhosamente, advertindo-os em sonho, para não voltarem a Herodes, pois havia uma cilada de morte para suas vidas. Os cinco sonhos dados por revelação divina também provam que Deus estava no controle de todos estes acontecimentos (leia Mateus 1:20; 2:12,13,19-22).
Cremos que nesta época de uma festa tão importante para o cristianismo, se buscarmos a Deus de uma forma desinteressada, procurando por Ele (não um Cristo lembrado, comercializado, vendido), um Cristo que nasceu e viveu entre nós humildemente, morreu na cruz livrando-nos de todos os nossos pecados, que vive triunfantemente e está presente, e oferecermos a Ele mais que ouro, incenso e mirra (aquilo que lhe pertence), será achado de nós, assentar-se-á no trono do nosso coração e seremos divinamente conduzidos, orientados e protegidos. Deus não quer o que é nosso, o que é “de Cézar”. Também não queria o trono de Herodes e sim o seu coração, quando aquele temia pelo seu ouro, seu poder e sua fama. Mas Jesus não veio para reinar no trono de ninguém e sim no coração das pessoas.
Neste primeiro Natal também aconteceu um fato cruel – quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e, na sua comprovada ansiedade, de eliminar qualquer possível pretendente ao trono, não querendo perder a garantia de matar esta criança só por causa de algum equívoco de meses, ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo (na contagem judaica correspondia a crianças com até um ano completo de idade) de Belém e proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos. O texto bíblico fala do cumprimento da profecia que se encontra em Jeremias 31:15 e, de acordo com ele, Raquel (sepultada perto de Belém, cerca de trinta séculos antes do cativeiro babilônico), é vista chorando por seus filhos que foram levados para a Babilônia em 586 a.C. Nesta cruel matança ordenada por Herodes, vemos novamente a figura de Raquel, uma matriarca israelita, sofrendo por causa da perda violenta de seus filhos.
Não foi a primeira vez que isto aconteceu na história da humanidade. Quando o povo de Israel estava no Egito, Faraó ofereceu parteiras para conduzir as hebréias em seus partos (um plano de saúde com ajuda médica de ponta da época e gratuito), mas a ordem secreta era estrangular as crianças do sexo masculino, no nascimento, porque eram do povo de Deus, um povo que tinha promessas e planos divinos para suas vidas e em crescendo, ficando numerosos, poderiam voltar-se contra os egípcios. Foi por esta ocasião que Moisés sobreviveu miraculosamente (Êxodo 1:8-22; 2:1-10). Ainda hoje crianças do mundo todo morrem, sendo entregues por seus próprios pais, quando alguém oferece algum tipo de incentivo. São colocadas na escala dos surfs, da bola, dos games e os “olheiros” dizem “entregue-a porque amanhã ela será um astro, ganhará milhões”, e o prêmio oferecido é tão grande que os pais as levam com suas próprias mãos e as oferecem ao mundo. A quantidade de crianças que “morrem” no mundo quando celebra-se o nascimento do menino Jesus é assustadora! O rei que reina neste mundo não diminuiu sua fúria – continua cruel, violento e astuto.
Sua astúcia atinge inicialmente os pais que têm o dever de protegê-las e orientá-las e que acabam levando-as ao “Natal do menino Jesus”, enganando-as com mitos , crendices, folclore (a árvore de natal,o pinheirinho,é um síbolo de consagração aos deuses Ninrode e Semírames; as velas adornadas, faziam parte de um ritual pagão dedicado aos deuses ancestrais; as guirlandas são um símbolo relacionado ao deus Apolo, trazem honra a Zeus e homenageiam a Semírames; o presépio é um altar a Baal, consagrado desde a antigüidade babilônica e o querido Papai Noel não é um santo, é um ídolo. São Nicolau, bispo católico do século V, Bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em dezembro, segundo a lenda, presenteava ocultamente três filhas de um homem muito pobre. Daí a origem de se dar presentes em secreto na véspera do dia de São Nicolau [6 de dezembro], data que mais tarde foi tranferida para o Natal. Esta é a associação do Natal a São Nicolau). Esta figura foi canonizada para roubar a adoração. O objetivo principal de Satanás é arrancar a nossa visão de Cristo e trazer figuras de substituição, fazer crescer no coração das pessoas uma visão errada do que é Reino de Deus. O ínico que tem prazer na vida das crianças é Jesus (leia Mateus 19:14).
O mundo está cada vez mais encantador, cada vez mais assustador e este rei cruel, que não teme a Deus, nem a qualquer organização humana, se aperfeiçoa nas suas articulações, nos “seus presentes” onde muitos se veem seduzidos pelos seus prêmios e acabam oferecendo, não mais as crianças de Belém, mas as do mundo todo. Lembremo-nos de que o primeiro Natal cristão nasceu com uma busca sincera por Cristo. Será maravilhoso se o último Natal da vida de qualquer cristão continuar sendo esta busca intensa por Cristo, pois isto nos trará proteção, prosperidade e condução segura de Deus para nossa vida. Amém!
Obs: texto baseado na mensagem proferida pelo Pr. Luiz Carlos Gomes e redigido por Tânia Sueli Lemos da Silva.
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Última atualização (Ter, 20 de Dezembro de 2011 16:05)
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