Quem vê este homem forte, saudável e confiante, entrando e saindo do seu serviço conduzindo pequenos e grandes veículos, não imagina que nem sempre foi assim.
Leonildo Prates, 44 anos, filho de família humilde, vivia na lavoura quando criança, vindo a perder o pai ainda na sua tenra idade. Sua mãe, não vendo perspectiva de futuro na roça, mudou-se para a cidade na esperança de conseguir uma vida melhor. Leonildo foi trabalhar no ramo de lanchonete, tendo que trabalhar no período noturno, sendo ainda um adolescente (16 anos), com isso, começou a fumar e como achava tudo normal, também tomava aperitivos.
A esperança de Leonildo em conquistar um melhor salário se concretizou quando no ano de 1983, conseguiu trabalho no Departamento de Estradas de Rodagem (D.E.R.); levando funcionários para o serviço externo, juntava-se aos amigos para beber e com isso tornou-se um alcoólatra.Conheceu a jovem Gildete Correia Prates com quem se casou, contrariando os conselhos da sua tia que a alertava sobre a certeza do sofrimento futuro, dado ao vício da bebida.No dia do casamento, a noiva amargava uma triste experiência ao ver o agora esposo, sendo carregado pelos amigos, pois tão embriagado não conseguia se sustentar nas próprias pernas. Vieram os filhos, primeiro o Rafael, depois o Bruno, atualmente com 22 e 21 anos de idade, respectivamente.
A esposa de Leonildo desempenhava o papel de pai e mãe ao mesmo tempo, pois o marido era sempre ausente e quando estava em casa, agredia a esposa, sem motivos, causando nos filhos verdadeiros traumas de infância. Nos dias em que recebia o pagamento, saia com os amigos em aventuras que se estendiam por até três dias, só retornando após "estourar" todo o dinheiro de um mês de intenso trabalho. Não tinha forças, não se alimentava, perdia a saúde; tinha os pés inchados e cheios de úlceras, não tinha credibilidade alguma; sua esposa declarou "lavei as mãos". Jaime Tagliacolli, chefe de seção do D.E.R., disse que conheceu o Leonildo literalmente caído, havia lhe dado todas as oportunidades e o próximo passo seria demiti-lo.
Apesar do vício ele cumpria o horário, porém, não produzia mesmo porque, não podia confiar a ponto de lhe entregar um veículo para dirigir. Jaime apresentou uma foto antiga do Leonildo e se emocionou ao ser questionado sobre que conselho daria aos amigos de trabalho, respondendo que tenham forças e que confiem em Deus, que não deixem o sofrimento tomar conta deles e que procurem acreditar até o fim.
O Leonildo é a nossa referência por onde passamos, concluiu Jaime. No seu local de trabalho, havia uma senhora conhecida como "Dag", seu nome, Dagmar (Já falecida). Era uma pessoa que se comovia com o sofrimento alheio e no caso do Leonildo, não foi diferente.
No início do ano de 2000, convidou por várias vezes para assistir um culto na Igreja Evangélica Manancial, tal foi sua insistência que Leonildo acabou indo em um culto de quarta-feira, após o culto foi atendido pelo pastor que providenciou sua internação na recém criada "Casa de Recuperação de Vidas Refúgio Cristão", para onde Leonildo foi encaminhado. Tinha os pés inchados, cheios de feridas.
Tudo era muito doloroso: a abstinência, a ausência dos amigos e também do lar que agora passava a valorizar, a dor física aliada à fraqueza devida a má alimentação. Dei muito trabalho, conta Leonildo, mas a Dagmar, o pastor Luiz Carlos, a Sara, o Silas que era coordenador da casa e também o Givanildo, hoje obreiro da Refúgio, me deram muito apoio, sem essa força eu teria desistido de tudo.
Não posso deixar de agradecer a minha esposa que apesar de estar tão desanimada, foi uma heroína ao meu lado. Foram seis meses de luta interior, parecia que o mundo tinha desabado sobre a minha cabeça, mas venci.






