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Testemunho de Alaece - Revista Refúgio

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A Revista Refúgio nesta 3ª edição mostra com riqueza de detalhes o sofrimento que Alaece possou por causa do vício que entrou em sua vida ainda criança.

Mesmo usando toda a nossa capacidade de inteligência, sempre encontramos dificuldades em nosso meio de trabalho ou qualquer outra atividade que requer poder maior de concentração. E o que acontece quando alguém perde a memória?
Veja o relato de Alaece:

Meu nome é Alaece Ferreira, 56 anos, nasci em Malacacheta – MG, filho de família pobre, meus pais mudaram-se para o Estado do Paraná em busca de melhora financeira, mas fracassaram nessa tentativa, pois meu pai faleceu, tendo eu sete anos de idade, forçando com a morte dele, nossa volta para Minas Gerais. Meu pai trabalhava na roça, plantando cana que depois de colhida, era entregue em um alambique e recebia como forma de pagamento alguns garrafões de aguardente para o seu consumo. Sempre que ia tomar uma dose, dava-me e também aos meus irmãos e à minha mãe, alegando que era para não passarmos vontade, mas na condição de não nos acostumarmos; eu era ainda criança, tinha apenas seis anos de idade.  Viemos para Santo Antonio do Aracanguá que era distrito de Araçatuba, pois tinha tios que aqui habitavam nessa altura eu já tinha por volta de dezesseis anos de idade. Com dezessete anos, vivia a juventude em Aracanguá, conheci amigos que bebiam e fumavam, também convivi com pessoas que usavam outras drogas, porém, nunca experimentei outra droga a não ser o fumo e o álcool.

 Meu nome é Alaece Ferreira, 56 anos, nasci em Malacacheta – MG, filho de família pobre, meus pais mudaram-se para o Estado do Paraná em busca de melhora financeira, mas fracassaram nessa tentativa, pois meu pai faleceu, tendo eu sete anos de idade, forçando com a morte dele, nossa volta para Minas Gerais. Meu pai trabalhava na roça, plantando cana que depois de colhida, era entregue em um alambique e recebia como forma de pagamento alguns garrafões de aguardente para o seu consumo. Sempre que ia tomar uma dose, dava-me e também aos meus irmãos e à minha mãe, alegando que era para não passarmos vontade, mas na condição de não nos acostumarmos; eu era ainda criança, tinha apenas seis anos de idade.  Viemos para Santo Antonio do Aracanguá que era distrito de Araçatuba, pois tinha tios que aqui habitavam nessa altura eu já tinha por volta de dezesseis anos de idade. Com dezessete anos, vivia a juventude em Aracanguá, conheci amigos que bebiam e fumavam, também convivi com pessoas que usavam outras drogas, porém, nunca experimentei outra droga a não ser o fumo e o álcool. 

Meu nome é Alaece Ferreira, 56 anos, nasci em Malacacheta – MG, filho de família pobre, meus pais mudaram-se para o Estado do Paraná em busca de melhora financeira, mas fracassaram nessa tentativa, pois meu pai faleceu, tendo eu sete anos de idade, forçando com a morte dele, nossa volta para Minas Gerais. Meu pai trabalhava na roça, plantando cana que depois de colhida, era entregue em um alambique e recebia como forma de pagamento alguns garrafões de aguardente para o seu consumo. Sempre que ia tomar uma dose, dava-me e também aos meus irmãos e à minha mãe, alegando que era para não passarmos vontade, mas na condição de não nos acostumarmos; eu era ainda criança, tinha apenas seis anos de idade.  Viemos para Santo Antonio do Aracanguá que era distrito de Araçatuba, pois tinha tios que aqui habitavam nessa altura eu já tinha por volta de dezesseis anos de idade. Com dezessete anos, vivia a juventude em Aracanguá, conheci amigos que bebiam e fumavam, também convivi com pessoas que usavam outras drogas, porém, nunca experimentei outra droga a não ser o fumo e o álcool. 

Tinha o controle sobre a bebida, era o famoso “beber socialmente”, depois comecei a beber para me esconder dentro de mim, para ter coragem de entrar em ambientes que sem tomar “umas e outras” eu não entraria.

Trabalhava na área de construção civil e acabei por trocar o trabalho pelos amigos e conseqüentemente pelo álcool, passando a consumir mais, pois mesmo com a vida financeira em dificuldades, acabava me embriagando, pois quando não tinha dinheiro os “Amigos” me socorriam naqueles momentos, de forma que bebia todos os dias.

O meu lazer era viver em bares, deixando meu lar, duas filhas, a Elaine hoje com 28 anos e a Alexandra com 26 anos. Abandonei o lar e me envolvi com outra mulher que me tirava o pouco que ganhava quando executava algum trabalho.

Cheguei a ter cheque especial, bom dinheiro na poupança, mas gastei tudo com a outra mulher e também com os amigos, com churrascos e bebidas.

Ao ser contratado para um trabalho, já pedia um adiantamento e como era conhecido na cidade, as pessoas me adiantavam parte do pagamento, era aí que eu combinava uma pescaria com os amigos e ficava no rio por vários dias. Abandonava as ferramentas, que quando meus familiares não as buscavam não me eram devolvidas.

Troquei um lar, uma família por uma vida na rua, dormia em construções, quase não me alimentava, fui morar em um cômodo sem nenhuma condição; lá recebia a visita dos amigos para bebermos juntos. Dormia no chão, sem água para o banho sem energia elétrica, às vezes, banhava-me no rio.

O Adão, dono do bar, expulsava-me de lá, pois eu “fedia” e isso incomodava os freqüentadores.

O chamado fundo do poço aconteceu porque eu não admitia ser um alcoólatra, e não aceitava interferência de outras pessoas interessadas em me ajudar. Eu não preciso de ninguém, cada um cuide da sua vida, era o que pensava.

Passei a morar debaixo de uma ponte; cabeludo, barbudo, sujo, mal cheiroso, já perdia as forças.

Percebi que estava com grande dificuldade para enxergar, quase não ouvia e não tinha mais a capacidade de raciocinar. Falava e fazia muitas vezes as mesmas coisas, perdi realmente a memória.  

Fraco, quase sem enxergar, sem alimentação, bêbado e o pior, totalmente sem memória, era para mim o fim de tudo.

Maria Lina de Jesus, minha companheira de longa jornada, me socorreu comovida, mesmo sofrendo o abandono, mesmo sendo trocada por outra, me amparava, me recolhia, me alimentava e era a casa dela o local em que eu tomava banho; de repente eu sumia de casa novamente, o cão voltava ao seu vômito. Ao me acolher, a minha filha trancava as portas de casa para que eu não saísse, eu tentava driblá-la de qualquer jeito. Ela me alertava da necessidade de um tratamento, mas eu não aceitava, pois para mim tudo aquilo era normal. Ao oferecerem-me ajuda, eu dizia: “só se passarem por cima do meu cadáver”.

Tive vários desentendimentos com minha filha, porque eu não aceitava a interferência dela e ela não admitia aquela situação em que eu vivia.

Hoje, agradeço a minha esposa e minhas duas filhas que se sujeitaram a trazer aquele verdadeiro “trapo humano” para casa; agradeço ao pastor Nelson da igreja Manancial de Aracanguá que me acolheu na “Casa de Recuperação de Vidas Refúgio Cristão” e muito fez pela minha vida. Fiquei na Refúgio Cristão por mais ou menos um ano e a medicina não dava esperanças de recuperação da minha memória, debilitada pelo intenso uso do álcool. Fiquei assim durante o tempo em que permaneci na refúgio e o pastor Nelson com muita paciência me ajudava e me suportava do jeito que eu estava.

Hoje não desejo nem para um cachorro o que eu passei, pois um cachorro sarnento tem vitórias melhores da que eu tinha no passado.

Realmente hoje temos paz, hoje sei o que é viver e aconselho a todos os pais que desejam fazer dos seus filhos, super-heróis, ensinando-os a beber ainda jovens, que agindo desta forma estarão plantando enormes espinhos no futuro das gerações vindouras.

Última atualização em Seg, 22 de Junho de 2009 17:54  

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